Lula descarta volta em 2014 e diz que quer distância dos ''chatos''

Em café com petistas, presidente conta que, se quisesse voltar, ''teria escolhido candidato para perder e não para ganhar''

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2010 | 00h00

No café da manhã com a bancada do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ontem que não pretende disputar as próximas eleições presidenciais. "Se eu quisesse disputar a eleição em 2014, teria escolhido um candidato para perder e não para ganhar (em 2010)", disse, ao ouvir parlamentares petistas pedirem sua volta ao Planalto.

Emocionado e com a voz embargada, Lula pediu apoio dos deputados e senadores petistas a Dilma. "Na dúvida, tenham lado. Fiquem com ela", insistiu, ao lembrar das dificuldades por que passou na crise do mensalão, em 2005. "Eu assistia à TV Senado e ficava com pena de mim mesmo. Todo mundo me batia e poucos me defendiam. Agora, vocês precisam dar sustentação a Dilma."

Boquinha. No Planalto, longe da conversa com os parlamentares, Lula tem revelado a amigos próximos que está querendo distância dos "chatos" que tentam uma "boquinha" no futuro governo. Por isso pretende tirar três meses de férias da política e não comparecer a eventos de aliados até fim de março, segundo pessoas próximas a ele. Será tempo suficiente para Dilma concluir a lista de nomeações para escalões inferiores e chefias de estatais e autarquias.

O presidente reclamou que muitos aliados acham que ele tem "obrigação" de dar emprego para todos. No café da manhã com a bancada do PT, Lula disse que quer "dar um tempo" na política. "Um mês, dois meses, três meses. Não sei por quanto tempo eu vou aguentar", afirmou. "Vou sair da cena política e curtir um pouco a família."

Pastilhas. Em discurso durante o balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente disse, em tom de brincadeira, que já sente sinais de que está perdendo poder e avaliou o início e o fim de um mandato. "Antes, o Guido Mantega se sentava comigo às reuniões e colocava uma latinha de pastilhas Valda cheia para eu chupar o quanto quisesse", contou. "Hoje, ele chegou aqui e eu, habituado, falei: "Guido, cadê a pastilha Valda?" Ele tinha só uma no bolso", relatou. "Certamente, esqueceu a caixinha na mesa da Dilma. Não tem nada, não. Nada como um dia atrás do outro, Guido."

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