Lula desembarca em Maputo sem fábrica prometida

Objetivo do início do mandato vai ficar para o próximo ano; viagem a Moçambique é uma escala a caminho de Seul

Tânia Monteiro ENVIADA ESPECIAL MAPUTO (MOÇAMBIQUE), O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2010 | 00h00

Apesar de ter assinado o acordo em 2003, no seu primeiro ano de governo, para inaugurar uma fábrica de medicamentos em Moçambique, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai terminar seu mandato sem concretizar o que chamou de "sonho". Provavelmente, a fábrica somente vai se transformar em realidade no fim de 2011.

Lula ficará dois dias em Maputo, na sua terceira viagem ao país - a viagem é escala a caminho de Seul, onde vai participar do G-20 para discutir crise cambial.

O atraso na entrega da fábrica que o Brasil está doando para Moçambique se deve à demora do Congresso brasileiro em aprovar os recursos para a compra de equipamentos. Há outro motivo: o fato de o governo de Maputo ter demorado a fazer a contrapartida do contrato de compra do terreno e a reforma do local da fábrica de medicamentos.

Formação. O governo brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, já destinou R$ 13,6 milhões para aquisição de equipamentos e formação profissional da equipe da futura Sociedade Moçambicana de Medicamentos S/A. No total, o investimento previsto é de R$ 31 milhões.

A fábrica de retrovirais produzirá cinco medicamentos, incluindo o coquetel básico da Aids, doença que atinge 23% da população de Maputo e 15% da população do país. O Brasil está doando 21 dossiês de medicamentos a Moçambique sem pagamento de royalties - cada produto está estimado entre US$ 20 mil a US$ 30 mil.

"Não é do contento de ninguém não estar inaugurando a fábrica. Mas a vinda do presidente Lula apressará esse processo. É um gesto político para fazer o projeto andar mais rápido", disse o embaixador do Brasil em Maputo, Antonio Souza e Silva.

Rádio. Ontem, no programa semanal Café com o Presidente , Lula falou não apenas da visita à fábrica de medicamentos como da aula inaugural que vai dar aos 620 alunos de quatro cursos de universidade aberta do Brasil.

"Em Moçambique vou fazer uma coisa que é um sonho, porque nós vamos inaugurar três núcleos de universidade aberta - um em Maputo, outro em Beira e outro em Lichinga. Vamos fazer uma visita à fábrica de antirretrovirais, que é um remédio para combater a Aids produzido pela Fiocruz, que está passando tecnologia e orientando o povo de Moçambique."

Investimentos. Lula falou também do intercâmbio comercial entre os dois países. "Vamos ter encontros empresariais, porque existem muitas empresas brasileiras fazendo investimentos em Moçambique", disse ontem no programa de rádio. "Minha ida a Maputo é uma coisa de solidariedade, de fraternidade, uma coisa de irmandade entre Brasil e Moçambique."

Lula participará de encontro com empresários brasileiros que investem em Moçambique. Deverão estar presentes na reunião os presidentes das construtoras Camargo Corrêa, Odebrecht e Queiroz Galvão, além do presidente da Vale.

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