Lula desfaz imagem externa

Nos bastidores do governo e nos círculos diplomáticos em Brasília a avaliação corrente é que os últimos movimentos e manifestações do presidente Lula no plano externo representaram um tiro no pé na sua pretensão de consolidar-se como uma liderança internacional. "Comprometeu seus sonhos", foi a síntese de um representante diplomático europeu.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

 

Blog Meirelles sob fogo amigo

A ação direta e pessoal de Lula no episódio de Honduras e na defesa do programa nuclear do Irã, a condenação post-mortem do preso político cubano Orlando Zapata, as sucessivas manifestações gratuitas de hostilidade aos Estados Unidos e a insistente qualificação da Venezuela como uma democracia plena formam um conjunto desabonador aos olhos dos parceiros tradicionais do Brasil.

A percepção é que o movimento em direção a uma ruptura gradual com a tradição diplomática brasileira relativiza perigosamente o conceito de não intromissão em assuntos internos de outras nações, para submetê-lo a uma seletividade ideológica.

Para não criticar o ditador Fidel Castro, o bordão da não intromissão é levantado e pede-se respeito à soberania cubana. Para Honduras, não vale o mesmo e o Brasil vira agente externo ativo em favor de um dos lados de um conflito político interno de outro país.

Na síntese de graduado diplomata estrangeiro, os atores globais entram em compasso de espera com relação à política externa brasileira na expectativa de que o futuro governo a reavalie. De qualquer forma, houve uma reversão de expectativas desfavorável ao País.

DEM quer se incorporar ao PSDB

Mal das pernas, o DEM vai propor a incorporação ao PSDB em caso de vitória de José Serra nas eleições presidenciais. A ideia é dividir com PMDB e PT o espaço dos grandes partidos, abrindo uma porta de saída para o desgaste com o mensalão de Brasília, cujos desdobramentos têm potencial para fazer estragos ainda muito maiores.

O partido, porém, lida com uma perspectiva de derrota, atormentado com um cálculo interno que põe Dilma Rousseff à frente de José Serra nas pesquisas até 15 de maio. A previsão é de um placar de 38% a 31% a favor da candidata de Lula nessa ocasião.

Preocupados com o impacto dessa pesquisa, já traçam cenários de curto prazo. Se a previsão vingar, e Aécio Neves estiver mesmo fora do páreo, pretendem voltar a pleitear a vice, sob o argumento de que o barco está fazendo água.

Falta explicar como pretendem ser boia de salvação em contexto tão desfavorável.

Mensalão alcança o PPS

Os desdobramentos das investigações do escândalo de Brasília agravarão a situação do PPS, com danos à Direção Nacional. Forma-se na Polícia Federal a convicção de que o partido tinha participação ativa no esquema de corrupção do governo Arruda, a partir do qual teria montado caixa 2 para a campanha eleitoral. A fonte do partido era mesmo a área de saúde onde agora começa a faltar medicamento. O comando de campanha de Serra já foi alertado.

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