Lula desiste de tirar Pessuti da disputa pelo governo do PR

Após reunião de uma hora, peemedebista que busca a reeleição foi autorizado a usar as imagens do encontro com presidente

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Em meio à confusão dos partidos aliados em definir o candidato ao governo do Paraná, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que não tentará mais retirar a candidatura do governador Orlando Pessuti (PMDB) ao Palácio Iguaçu.

Depois de uma hora de conversa no Centro Cultural Banco do Brasil, Lula autorizou o peemedebista a usar politicamente as imagens do encontro. As audiências do presidente com pré-candidatos costumam ser fechadas, mas o gabinete permitiu, inclusive, que fotógrafos e cinegrafistas registrassem o encontro.

Antes da audiência, Lula recebeu os senadores peemedebistas Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR). Conversou também, por telefone, com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).

Na terça-feira à noite, Pessuti se reuniu com Temer para acertar uma estratégia de neutralizar os assédios do presidente Lula, que manifestou nos bastidores o desejo de contar com o apoio do PMDB à candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Estado.

Osmar Dias, por sua vez, exige que Gleisi Hoffman (PT), mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, desista da candidatura ao Senado para ser vice na sua chapa. Bernardo e o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também participaram da audiência.

Após deixar o gabinete do presidente, Pessuti relatou em entrevista que deixou claro a Lula que manterá a candidatura. Ele argumentou que, diferentemente de Osmar Dias, que pode concorrer ao Senado, não tem outra alternativa.

Pela legislação, Pessuti só pode disputar o governo do Estado. Os petistas chegaram a propor ao governador um "bom" cargo num eventual governo de Dilma Rousseff, caso ele desistisse da candidatura.

"É lógico que o presidente Lula torce e trabalha para um palanque único no Paraná", disse Pessuti. "Eu também quero um palanque único, mas se for para ter um único nome, que seja o nosso nome", acrescentou.

Pessuti está na política há 42 anos e era vice de Roberto Requião (PMDB), que renunciou ao cargo no fim de março para concorrer ao Senado.

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