Lula diz não ver problema em palanques duplos

Presidente foi a evento no Pará, onde há divisão, e admitiu que o ''ideal'' seria ter a base unida na campanha de Dilma

Liege Albuquerque, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não considera prejudicial à campanha presidencial da pré-candidata Dilma Rousseff o fato de vários Estados estarem dividindo os partidos da base em dois palanques. "É claro que o ideal é a base unida em torno da candidata, mas, se não for possível, como no caso do Pará, paciência."

Durante coletiva de imprensa após o lançamento do Plano Nacional de Biocombustíveis, em Tomé-Açu, a 293 quilômetros de Belém (PA), Lula disse acreditar muito na capacidade de discernimento do partido para a escolha do palanque. "Vamos encontrar um jeito para fazer campanha."

Irritação. Na entrevista, o presidente irritou-se ao ser questionado sobre as investigações referentes ao secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. "Isso é para a Polícia Federal investigar. Não cabe a mim comentar."

Sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte, o presidente disse acreditar que a maioria da população do Pará quer o seu funcionamento. "A área que vai ser alagada em Belo Monte é menos da metade do que se pensava no projeto original", comparou. "Não é mais como era nas hidrelétricas na década de 70, 80, quando destruíam tudo e não pensavam na população."

O presidente iria a Curionópolis, a 615 quilômetros de Belém, na tarde de hoje para assinar a concessão da lavra do garimpo de Serra Pelada à cooperativa formada por garimpeiros e uma empresa canadense, mas a viagem foi desmarcada após revelação de que a empresa não tinha assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), pelo qual reverteria o porcentual da maioria das ações aos garimpeiros.

Segundo uma fonte do Planalto, a empresa detinha 75% das ações da cooperativa, e os garimpeiros, 25%. A exigência de Lula é para que a maior parte das ações seja dos garimpeiros. O TAC teria sido assinado no início da tarde de ontem.

Biodiesel. Em discurso de 45 minutos para uma plateia de cerca de três mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, Lula explicou as bases do Plano Nacional de Biocombustíveis. "Seja qual for o presidente, cobrem dele (a implantação) e da Petrobrás, porque eu vou estar no meu Pernambuco daqui a oito meses, mas venho aqui para cobrar ao lado de vocês."

O plano prevê uma parceria com a empresa portuguesa Galp Energia, que deve levar, a partir de 2015, 250 mil toneladas de óleo de palma para virar biodiesel e ser consumido na Europa.

Produção

O Pará é o maior produtor de óleo de palma do País, com apenas 0,5% do total mundial. Investimento de R$ 554 milhões deve garantir a produção de 250 mil toneladas/ano de óleo de palma.

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