Lula diz que campanha começa após debate e aposta na velha militância

Em campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta na velha mobilização do PT, com militância na rua, e declarou que a campanha começará para valer depois do debate na TV Bandeirantes neste domingo. Ele, que não foi a debates no primeiro turno, disse que agora "será muito melhor" pois enfrentará o tucano Geraldo Alckmin "tête-à-tête". "O segundo turno começa segunda-feira, depois do debate. A partir de segunda, teremos vinte dias para as eleições e a militância tem que ocupar cada metro quadrado do território nacional para que a gente possa fazer o debate", disse.Encerrando mais um dia de sua campanha, Lula convocou neste sábado a militância do PT a trabalhar incansavelmente até o dia 29 de outubro. "A partir de segunda-feira, é possível que a gente não descanse", disse o presidente em discurso para cerca de 500 militantes, durante visita ao comitê petista localizado na rodoviária de Brasília no fim do dia. Em uma aposta na velha mobilização do PT, o presidente parabenizou os companheiros pela "força extraordinária" e agradeceu o empenho no primeiro turno. "A gente não ganha somente pela imprensa, pela TV, pelo debate. Ganha com capacidade de convencimento que nossa militância tiver na rua", conclamou."A palavra de ordem é ´o jogo está jogado e nós vamos ganhar esse jogo´. Vamos ganhar porque é melhor para o povo brasileiro, vamos ganhar para terminar nossa tarefa", discursou Lula, encharcado pelo temporal que pegou ao caminhar do carro oficial até o comitê. Divisão entre ricos e pobresEm seguida, retomou dois pontos recorrentes de seu discurso: a divisão entre ricos e pobres e as críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso. "Não fui eu que dividi a sociedade entre pobres e ricos. Quero uma sociedade sem pobres. Uma sociedade só com rico seria muito melhor. Mas a verdade é que alguém tem que trabalhar e quem trabalha é a classe trabalhadora", disse Lula. "Primeiro os índios foram sufocados, depois os escravos foram sufocados. Agora, durante séculos os trabalhadores foram sufocados. Uma parte imaginava governar para um terço da sociedade. Nós governamos para todos", discursou.O presidente orientou a militância a comparar seu governo com o de Fernando Henrique Cardoso mas, ao mesmo tempo, reconhecer que ainda há muito a fazer. "Vamos debater o que fizemos e o que pretendemos fazer. E reconhecer humildemente que, embora tenhamos feito o dobro do meu antecessor, ainda não fizemos tudo. Porque não é uma dívida de uma década. São dívidas seculares. Vamos trabalhar com mais afinco, com mais amor, para pagar esta dívida", disse, em tom emocional.Geraldo é da Globo, o Lula é do povoAo lado da mulher, Marisa, Lula chegou ao comitê às 18 horas deste sábado. Caminhou sob a tempestade cumprimentando militantes que o aguardavam desde as 17 horas, ao som do atual e de antigos jingles do partido. Um pequeno palco de madeira foi improvisado para que o presidente fizesse seu discurso. "Geraldo é da Globo, o Lula é do povo", gritavam alguns militantes, pouco antes de o presidente discursar. Depois de um discurso de menos de dez minutos, Lula despediu-se dos militantes como se fosse deixar o comitê. No entanto, aguardou alguns minutos e voltou ao salão, onde caminhou no meio dos petistas, foi abraçado e beijado. Mais uma vez, caminhou sob o temporal até o carro. Antes, tinha arrancado aplausos da barulhenta platéia ao dizer que "não esperava tanta mulher, tanto homem e tanta criança".O local visitado por Lula foi o comitê da candidata derrotada ao governo do Distrito Federal, Arlete Sampaio. Neste segundo turno, será transformado no comitê de mobilização da campanha pela reeleição. Enquanto Lula não chegava, o locutor pedia empenho total até a eleição. "O dia agora vai ter que ter 36 horas, e não 24", dizia. Em determinado momento, o próprio animador deixou transparecer o abatimento por Lula não ter vencido no primeiro turno. "Vamos virar esse jogo...", disse, corrigindo em seguida: "Vamos ganhar essa eleição."

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