Lula diz que CPI não pode ser usada para promoção pessoal

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu mais controle sobre as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para evitar que os parlamentares as utilizem para promoção pessoal. "É um dilema, ao invés de investigar você quer aparecer", disse durante entrevista ao telejornal SBT Brasil. "Quando você utiliza as a apuração para fazer sua merchandising pessoal, aí complica a seriedade da investigação".O presidente recebeu nesta quarta-feira, 2, uma comissão de juristas que entregou estudo encomendado pelo Palácio do Planalto contendo uma proposta para "disciplinar" as CPIs. Na entrevista, ele não respondeu quando perguntado se elas deveriam ter direito a quebrar os sigilos ficais e bancárias. Ele disse que essa é um dos itens da proposta. "É uma discussão deve pegar fogo no Congresso", disseEle também falou de outro tema discutido com a comissão de juristas, que seria a convocação de uma nova Assembléia Constituinte para fazer a reforma política. O presidente disse que essa não poderia ser uma iniciativa do governo, mas que a encaminharia ao Congresso, a medida que vê "com muita simpatia" a tese. "Tenho dúvidas se o Congresso Nacional tem condições de aprovar uma reforma política que possa contentar os anseios da sociedade, afirmou. "O Congresso pode votar uma legislação que atende apenas os interesses do próprio Congresso".DebatesLula disse que não descarta sua participação em debates no primeiro turno das eleições de 2006. Segundo ele, entretanto, tudo vai depender da organização dos debates e as regras estabelecidas entre os candidatos e as emissoras de televisão. "As vezes as pessoas agem com uma certa insanidade. As perguntas nem sempre são pertinentes a uma campanha eleitoral", avaliou, durante entrevista concedida diretamente do Palácio da Alvorada, em Brasília. "Se tem uma coisa que eu gosto, é debate. Se tem uma coisa que eu gosto muito é ser provocado em debate", insistiu.Apesar da disposição em participar destes encontros, ele destacou que a posição de presidente não é tão simples como se imagina nesta situação e é necessário preservar a instituição da Presidência da República. "Eu não estou indo lá apenas enquanto Lula candidato. Porque, se eu estiver sentado na cadeira como candidato e acontecer alguma coisa no Brasil, eu deixo de ser candidato e viro presidente da República na hora", explicou.Palavra chaveO presidente disse que a palavra chave para o próximo governo é desenvolvimento. Falando diretamente do Palácio Alvorada, em Brasília, Lula destacou que sua administração preparou o terreno para o que é necessário fazer nos próximos quatro anos: desenvolvimento, geração de renda e muito investimento em educação.Ele citou que o crescimento de 3,5% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) "não é pequeno". Segundo Lula, o Brasil teve duas décadas estagnadas, quebrou duas vezes e seu governo "consertou o País com alicerces sólidos". E sem citar nominalmente os adversários, ironizou os que pregam o crescimento de 7%. "O Brasil já teve a experiência de crescer 7% em um ano e decrescer 7% em outro." Além de citar os resultados obtidos por sua administração, como os recordes de exportação, Lula repetiu o que já havia dito na semana passada à rádio CBN, que quando os EUA espirravam, o Brasil pegava pneumonia. Para ele, agora a situação é diferente. "Nós podemos ficar tranqüilos (com uma eventual crise americana) porque a economia brasileira está sólida." E reiterou: "Construímos a solidez que o Brasil precisa para ser encarado com seriedade no mundo".CorrupçãoO presidente foi questionado sobre o fato de o seu partido ter expulsado parlamentares que foram contrários à Reforma da Previdência, entre eles a atual adversária nesta campanha presidencial, a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), e não ter negado legenda para os parlamentares envolvidos em irregularidades, como o escândalo do mensalão. Sem entrar na polêmica da expulsão da senadora, Lula disse que "não se pode julgar sumariamente ninguém sem que se prove a culpabilidade".Para ele, se for comprovada a culpa de algum integrante da legenda em irregularidades, o PT deve expulsar os envolvidos. "Já sugeri isso ao presidente do PT. Se for comprovada a culpabilidade de quem quer que seja, que (a pessoa) saia do partido, é a forma de depurar a política brasileira." Apesar disso, criticou qualquer julgamento precipitado, porque pode-se estar julgando inocentes. "É por isso que historicamente sou contra a pena de morte." E salientou que seu governo vem apurando tudo e tem o interesse em punir eventuais responsabilidades.Ao falar sobre os parlamentares que renunciaram ao mandato para escaparem das cassações, Lula argumentou que eles serão julgados pelo Ministério Público e pela Justiça. E voltou a dizer: "Nós não temos preocupação de expulsar deputados. O que nós queremos é fazer justiça. Provou, seja expulso. Não provou, você não tem por que expulsar as pessoas", disse o presidente, lembrando outras ocasiões em que o PT expulsou parlamentares, tendo, inclusive uma base parlamentar menor. AliançasEle evitou falar a respeito de composições em um eventual segundo turno dessas eleições. Questionado se sua legenda poderia se aliar ao PSOL da senadora Heloísa Helena no segundo turno, ele destacou: "Não quero discutir este assunto, só discuto a partir de 1º de outubro (data da eleição do primeiro turno). Aí vamos conversar com quem precisar conversar."Além de evitar falar sobre composições em um eventual segundo turno das eleições presidenciais, Lula destacou que trata todos os adversários com muito respeito. "Minha vida política é de respeito com as relações pessoais que estabeleci com as pessoas."E, sem citar nomes, não deixou de provocar a oposição, sobretudo o PSDB, ao dizer que o processo eleitoral está deixando "alguns mais nervosos e outros mais raivosos e alguns falando coisas insensatas." Indagado sobre o alvo dessas críticas, o presidente foi enfático: "Já falei que não iria falar sobre nomes."

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