Lula diz que é passível de punição como todo brasileiro

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, participou, na quarta-feira, 19, de sabatina realizada pelo jornal Folha de S.Paulo, no Palácio da Alvorada, em Brasília.Durante as duas horas de entrevista, Lula salientou que, como todo cidadão brasileiro, está sujeito a punição por seus erros. Ele referiu-se à origem do dinheiro para a compra do dossiê Vedoin, cuja hipótese levantada é a de que teria vindo da campanha petista à reeleição. Caso essa hipótese seja verdadeira, Lula estaria sujeito a punição eleitoral.Lula voltou a defender a investigação da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça como o melhor meio para se chegar à verdadeira origem do dinheiro e o conseqüente esclarecimento do caso. E ressaltou: "pode ser que demore um dia ou dois anos".O presidente reafirmou sua intenção de ver punidos quaisquer envolvidos no escândalo, sem distinção de ligação com o governo ou não. "Todas as pessoas que forem envolvidas e que tiverem culpa terão que pagar. Essa é a regra do jogo da democracia".Embora tenha se mostrado disposto a ver seus pares punidos após uma suposta ligação com a compra dos documentos, Lula reafirmou que duvida que a atitude tenha partido de sua campanha. Para o presidente, o maior estrago sofrido em sua trajetória de reeleição fui justamente o escândalo do dossiê, "um tiro no próprio pé". Com este argumento, Lula afirma não ter nenhum sentido a participação de pessoas próximas a ele com o caso.Ainda sobre o caso, este "plano", como o presidente classificou a compra do dossiê, foi arquitetado por alguém. Os petistas envolvidos, "meia dúzia de pessoas que se achavam inteligentes" apenas morderam "a isca". Sobre os envolvidos, o presidente foi pontual: "Estou convencido de que o Freud (Godoy) é vítima só porque é próximo de mim. Dos outros (petistas), não estou convencido."LaçosÀ pergunta de um leitor sobre o tratamento supostamente afável dado a José Dirceu e Antonio Palocci, mesmo após o afastamento do governo de ambos, considerados como traidores pelo presidente, Lula respondeu que não concorda que os dois foram tratados "docemente".Lula considerou que, após passar vinte anos lutando para chegar ao poder, não poderia encontrar, nos atos de seus companheiros, a "mesma sandice que historicamente" se cometeu no Brasil. Instado pelos jornalistas, Lula revelou que não conversa com José Dirceu, Delúbio Soares ou Antonio Palocci: "agora cada um tem seu caminho", concluiu.

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