Lula diz que não vai mais se comparar a FHC

O candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que não quer mais comparar o seu governo com o de Fernando Henrique Cardoso. "Nos nossos quatro anos nós já batemos muito neles", afirmou em entrevista à Rádio Gaúcha, na manhã desta quarta-feira, em Brasília. "Agora eu quero comparar comigo mesmo", revelou Lula.Por outro lado, o presidente não soube explicar os motivos de sua derrota no primeiro turno no Rio Grande do Sul. "Eu não sei o que aconteceu, nós precisamos perguntar ao povo gaúcho o que aconteceu", disse, acrescentando que espera ser reeleito para fazer "tudo o que a população do Rio Grande do Sul esperava que fosse feito" no seu primeiro mandato.Pela primeira vez em uma candidatura, o presidente não venceu a eleição no Estado. Apesar disso, declarou que é muito grato pela boa votação histórica e disse que acredita em uma vitória no segundo turno. Ele lembrou que, em eleições anteriores, havia a presença forte do ex-governador e ex-presidente do PDT Leonel Brizola, cujos votos acabavam migrando para ele, Lula, no segundo turno. O presidente aproveitou a oportunidade para informar que o Rio Grande do Sul tem um problema financeiro sério em relação aos servidores aposentados. De acordo com ele, o Estado é um dos que têm a folha de funcionários inativos maior que a de ativos. A respeito da cotação do dólar, defendeu a manutenção do câmbio flutuante e afirmou que é preciso achar soluções para setores em crise. "Compramos dólar para que o câmbio tenha um patamar de equilíbrio razoável", Lula informou que, para os setores da economia gaúcha que enfrentam dificuldades, como o calçadista, o governo federal liberou R$ 1,1 bilhão em capital de giro. "Se tem setor que está em crise, temos que sentar e ver o que dá para fazer".Apoio em Santa CatarinaSobre a eleição para governador em Santa Catarina, Lula afirmou que apóia Esperidião Amin(PP) porque tem "uma relação histórica" com o candidato. Em eleições anteriores, Lula deu seu apoio ao concorrente de Amin no segundo turno, o atual governador do Estado, Luiz Henrique, do PMDB. "Apoiei o Luiz Henrique duas vezes para prefeito em Joinville. Estranhamente, o Luiz Henrique preferiu fazer aliança com o PSDB. A mudança faz parte da dinâmica da política brasileira", avaliou.Durante a entrevista, o presidente estava acompanhado dos ministros Tarso Genro, das Relações Institucionais, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, além do líder do PT na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana, e do assessor Gilberto Carvalho.O presidente confirmou também que um grupo de trabalho já estuda uma renegociação da dívida dos Estados com a União, mas advertiu que a solução não será "abrir a porteira" e sugeriu que os governadores também devem tratar de ajustar as finanças.Lula fará seu último comício antes da eleição nesta quarta-feira em São Paulo no Largo São José, na Capela do Socorro, a partir das 19 horas.BolíviaLula afirmou nesta quarta que "o Brasil tem que ter em mente que precisamos fazer um acordo justo com a Bolívia", numa referência à negociação do gás com o país andino. O candidato disse que o contrato prevê a possibilidade de fazer ajustes todos os anos em maio. "Se a Bolívia der um passo além do que a lei, do que o contrato permite, o Brasil tem os fóruns internacionais para debater esse assunto", constatou.Para ele, a Bolívia deve ser encarada "com uma certa normalidade", explicando que a história do petróleo e gás registra episódios em que os donos de importantes reservas brigaram por elas. O petista defendeu que não se pode "ficar traumatizando" a situação apenas por se tratar da Bolívia. "Se fossem os Estados Unidos, as pessoas falariam: tem que negociar porque os Estados Unidos são importantes", relacionou."A Bolívia também é importante", acrescentou, reiterando que o país é pobre e o gás é sua única riqueza. O presidente lembrou que o Conselho Nacional de Política Energética deliberou que o Brasil, até 2008, fará os investimentos necessários para não ser dependente de outros países na questão energética.Ao falar da política comercial, Lula reiterou confiança no Mercosul e defendeu que não se pode sufocar os parceiros. Ele citou os saldos positivos do Brasil nas relações com o México e Venezuela como exemplo.Matéria ampliada às 10h15

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