JB Neto/AE
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Lula diz que PT tem de bancar governo Dilma

Ex-presidente mira bancada de deputados e dá bronca pública durante evento no partido em SP

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem da bancada do PT no Congresso maior unidade em defesa do governo de sua sucessora, Dilma Rousseff. "Essa unidade é essencial para Dilma governar", afirmou o ex-presidente.

Em encontro de representantes petistas das macrorregiões de São Paulo, organizado pelo diretório estadual e realizado ontem no município de Sumaré, Lula disse que tem recebido pedidos de diversas áreas do partido para que interceda e se reúna com a bancada no Congresso, com o objetivo de garantir sua unidade. Ele disse que não fará isso, por enquanto, mas conclamou os deputados a atuarem de maneira conjunta. "A Dilma precisa saber todos os dias que a bancada está unida."

O ex-presidente observou que a primeira e mais dramática crise política de seu governo, que resultou no escândalo do mensalão, em 2005, teve início num momento em que a bancada não estava unida. "Nós temos 88 parlamentares num conjunto de 513", ressaltou. "Quando ocorre qualquer fissura na bancada não faltam partidos para colocar cunhas com o objetivo de aumentar a divisão."

Lula também disse que os parlamentares petistas devem parar de pensar exclusivamente na manutenção de suas bases políticas. "Precisam dedicar mais tempo ao partido, como se fazia antigamente", afirmou.

Dirigindo-se à militância, de maneira geral, o ex-presidente conclamou todos a não se intimidar nem abaixar a cabeça diante do que considera ataques da oposição e da "mídia": "A cada vez que o PT se fortalece, eles atacam e achincalham o partido. O jogo é duro. Não abaixem a cabeça quando começarem a achincalhar."

Palocci e Dr. Hélio. Lula citou como exemplo de ataques injustos ao partido o episódio do sequestro do empresário Abílio Diniz, ocorrido em 1989, ano das eleições presidenciais, quando ocorreram tentativas de associar o caso à militância petista. Mais adiante, numa referência indireta ao caso mais recente de seu amigo Antonio Palocci, que se demitiu da chefia da Casa Civil em meio a uma onda de suspeitas sobre o rápido crescimento de seu patrimônio, Lula afirmou: "Eu tô de saco cheio de ver companheiro acusado, humilhado, e depois não se provar nada." O recado também foi entendido como um apoio ao prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), que tem como vice um petista e está ameaçado de impeachment.

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, réu no processo do mensalão no Supremo, foi outro a defender Dr. Hélio: "Quando fizeram o que fizeram comigo, Dr. Hélio teve a coragem de me defender publicamente".

Razões da crise. Durante a crise política que culminou na saída de Palocci da Casa Civil, o PT se mostrou pouco disposto a defender o então principal articulador da presidente. Os motivos da falta de empenho eram insatisfações com nomeações para cargos de segundo e terceiros escalões do governo federal. Além disso, os parlamentares petistas, principalmente os de São Paulo, sentem-se "desprestigiados" no atual governo, pois nenhum deputado paulista foi escolhido por Dilma para ocupar um cargo de destaque no primeiro escalão federal (veja texto na página ao lado).

Para aumentar ainda mais o descontentamento, a presidente escolheu a senadora Ideli Salvatti (SC) para o lugar de Luiz Sérgio (RJ) no comando do Ministério das Relações Institucionais. O PT-SP dava como certa a indicação do deputado Cândido Vaccarezza, atual líder do governo e eleito por São Paulo.

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