Lula diz que tucanos são ´exterminadores do futuro´

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) é um "cego" e faz parte de um partido de "exterminadores do futuro". Em discurso na noite desta segunda-feira em Mossoró, a 280 quilômetros de Natal, Lula voltou a criticar o processo de privatizações do governo anterior e destacar a suposta falta de credibilidade externa dos tucanos. "Quando eles governaram, o Brasil não tinha crédito nem para comprar o rabo de uma porca", afirmou. "Estava praticamente quebrado."Na estratégia bem sucedida, segundo analistas, de minimizar o escândalo do dossiê Vedoin com a crítica às privatizações, Lula fez referências ao filme de ficção científica "O Exterminador do Futuro", estrelado por Arnold Schwarzenegger. "Os tucanos não sabem produzir, só sabem vender o que outros construíram", afirmou. "Na verdade, eles são demolidores. Sabe aquele exterminador do futuro? São eles."Lula ressaltou que o PSDB vendeu "quase todo o patrimônio público do País. "Só faltou vender a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica", disse. O presidente ainda acusou os tucanos de triplicarem a dívida mesmo com a privatização de estatais. Ele não mencionou, no entanto, o fato de a dívida ter sido federalizada, o que resultou em aumento. Apenas salientou que hoje o Brasil tem US$ 86 bilhões de reservas, valor superior à dívida líquida. Ao lado de Vilma de Faria (PSB), que tenta a reeleição numa disputa acirrada com Garibaldi Alves (PMDB), o presidente reclamou de uma declaração dada por Alckmin numa recente viagem do tucano ao Rio Grande do Norte. "O Alckmin veio aqui e disse que não vê nenhuma obra do presidente Lula", citou. "Cego não é aquele que não enxerga, mas aquele que não quer ver."Salário MínimoLula disse que a vitória dele e de Vilma representará aumento do salário mínimo, mais escolas técnicas e universidades, um piso nacional para professores e melhoria do ensino fundamental. Também prometeu construir um aeroporto para Mossoró. Na semana passada, o coordenador da campanha pela reeleição, Marco Aurélio García, disse que num eventual segundo governo Lula haverá cortes e servidores terão reajustes menores.Diante de milhares de pessoas que lotaram a praça Ferro de Engomar, o presidente disse que "na cabeça daquela gente (tucanos), o nordeste não existe." "Eles acham que somos homens e mulheres de segunda categoria", afirmou. Ao lado do presidente estavam a primeira-dama Marisa Letícia, Vilma de Faria, o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP).Quem também estava no palanque era o professor Roberto Mangabeira Unger, da Universidade de Harvard. Ele chegou a ser citado por Lula. Antes da campanha, Unger vivia dizendo que o governo Lula não tinha "projeto estratégico" para o País e, por isso, o Brasil não poderia crescer. No discurso, Vilma Faria citou a aliança entre o adversário dela no segundo turno Garibaldi Alves e o senador Agripino Maia (PFL), representantes de duas famílias tradicionalmente rivais. A própria Vilma foi casada com um Maia. No discurso, a governadora salientou que os adversários pensaram que ela não iria nem para o segundo turno. "Eles se juntaram (agora) porque são gananciosos, e vão ser demolidos", disse. "Eles queriam pegar na minha munheca, mas não pegaram não, quem pega é o povo", acrescentou. Em Mossoró, Lula teve 71 mil votos no primeiro turno, contra 33 mil de Alckmin. Vilma, por sua vez, teve 42 mil contra 65 mil de Garibaldi Alves. Para garantir a vitória na segunda maior cidade do Estado, ela prega o voto "casado" - "Lula e Vilma".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.