Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Lula diz ter ''ideia fixa'' de que Dilma será candidata à reeleição em 2014

Após vaivém de declarações sobre tema, pois havia indicado anteriormente que ele próprio poderia voltar a concorrer, presidente garante em café da manhã com jornalistas que não será copiloto da sucessora e apenas ficará ''na torcida, na arquibancada''

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

A menos de uma semana de deixar o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou ontem desfazer o mal-estar causado pela declaração de que poderia disputar um terceiro mandato em 2014, escanteando as ambições da presidente eleita, Dilma Rousseff. Em café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto, ele disse que fará campanha pela reeleição da petista.

"Trabalho com a ideia fixa de que a nossa companheira Dilma será outra vez a candidata a presidente da República", afirmou Lula. "É justo e legítimo que quem está no exercício do mandato e está fazendo um bom governo continue governando. A Dilma será minha candidata."

Na conversa, Lula disse que Dilma só não disputará a reeleição se não quiser. "Ela sabe disso", ressaltou. "Só existe uma hipótese na qual Dilma não seria candidata à reeleição: ela não querer ser. Mas, na minha opinião, é líquido e certo o direito de ela ser candidata à reeleição."

As declarações foram feitas após um repórter de rádio perguntar se ele, ao "voltar" em 2014, apoiaria o senador José Sarney (PMDB-AP) e nomearia novamente Nelson Jobim, titular da Defesa, para ministro.

Em entrevista na semana passada, Lula deixou claro que poderá disputar a Presidência. A afirmação causou constrangimentos na própria equipe de governo. Ontem, ele atribuiu aos adversários o debate sucessório. "Isso interessa a quem quer correr contra a Dilma", afirmou. "Cabe a quem está no governo governar e não ficar preocupado com pauta de 2014."

Conhecimento. Lula ressaltou que Dilma não será uma "pessoa estranha" no Planalto. "Ela sabe onde está a cadeira, conhece as pessoas, sabe quem são os governadores, quem é boa parte dos ministros", disse. "Penso que ela terá uma vida mais facilitada do que eu tive em 2003. Era novidade lidar com a imprensa e os ministros, conhecer o palácio."

Na entrevista, o presidente foi questionado se seria copiloto de Dilma. "Não. Ficarei na torcida, na arquibancada."

Lula se esforçou para dar um clima de descontração ao encontro. Ao abrir uma caixinha de manteiga, contou que pediu ao Inmetro que analisasse as embalagens. "No Brasil, as embalagens de manteiga não tinham isso. Um dia peguei no avião e mandei para o Inmetro. Um relatório mostrou que nenhuma empresa tinha o requisito necessário para facilitar a abertura da manteiga", relatou. "Mas tem umas que a gente é obrigado a pegar o garfo e furar."

O presidente deixou escapar que ainda sente mágoas da oposição e da imprensa. Disse que vai precisar de tempo para escrever suas memórias. "Você não está preparado para fazer um livro no dia seguinte. Você está com mágoa. É preciso dar um tempo. Imagina se um marido e uma mulher no dia seguinte à separação resolvem escrever um livro? Vai ser um desastre. Você tem que deixar o ódio se assentar."

Café. Antes da entrevista, no seu último Café com o Presidente, Lula ironizou os que diziam que seria muito difícil governar o Brasil. "Eu não achei nada complicado, achei até gostoso demais", comparou. "Provar que é possível fazer as coisas, que é possível fazer acontecer, que é possível permitir que o povo participe".

Ele adiantou, também, que trabalhará até o dia 30 de dezembro, descansando no dia seguinte para a comemoração do Ano-Novo. "Tenho que viajar essa semana para Pernambuco, para o Ceará e a Bahia, e tem coisa para fazer aqui em Brasília."

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