Lula e Jobim decidem rumos da diretoria da Anac nesta 2ª

Após saída de Denise Abreu, governo articula substituição do restante da diretora, a começar pelo presidente

Tânia Monteiro, do Estadão,

27 Agosto 2007 | 07h55

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem se encontrar nesta segunda-feira, 27, para definir os rumos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Após a renúncia da diretora Denise Abreu, na sexta-feira, o Palácio do Planalto e o Ministério da Defesa entendem que é hora de partir para um "segundo tempo", que teria de ser concluído o quanto antes. A idéia é promover a substituição do restante da diretoria da Anac, a começar pelo presidente. Para facilitar as coisas, o governo gostaria que Zuanazzi seguisse o exemplo de Denise Abreu, e apresentasse sua renúncia. Jobim considera que a postura do chefe da Anac não é adequada para a sua função e que ele age como se não fosse a autoridade responsável por fiscalizar as empresas aéreas e o setor. Em seguida, o governo quer realizar "uma mudança estrutural" na agência. Nem mesmo os nomes de indicação política, como Leur Lomanto, serão poupados. O ministro da Defesa, que já conversou com o presidente Lula, obteve carta branca para agir, e está disposto a usar o poder que lhe foi conferido, inclusive para tentar conseguir a saída de Zuanazzi, embora não tenha dúvidas de que todos os dirigentes da Anac precisem ser substituídos.  De acordo com interlocutores da Defesa e do Planalto, o ministro Nelson Jobim ficou estarrecido com a postura de Zuanazzi na CPI do Apagão Aéreo, na quarta-feira, 22, e isso já foi objeto de conversa com o presidente Lula. Na explanação que fez aos senadores, Zuanazzi passou pelo menos 20 minutos apresentando um balanço da situação dos 28 principais aeroportos do País, falando sobre a capacidade de funcionamento de cada um deles e sugerindo o que fosse feito neles para o futuro. Para o Planalto e para a Defesa, a Anac não tem de fazer exame no que tem de ser feito nos aeroportos no futuro, já que isso é função da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Berlinda O que se questiona da Anac, de acordo com interlocutores do presidente e do ministro Jobim, é: "Por quê ele (Zuanazzi) deixou chegar a este limite? Onde ele (Zuanazzi), que é a autoridade fiscalizadora, estava, que não exerceu a sua função de fiscalização?". No caso específico do documento que a Anac dispunha desde dezembro e mostrava que havia problemas em Congonhas e que havia previsão de que um avião poderia "varar" a pista do aeroporto - como acabou acontecendo, em julho, matando 199 pessoas - o questionamento é por que não foram tomadas providências. Na avaliação destes interlocutores, Zuanazzi e a Anac parecerem querer agir como magistrados de uma crise que já se arrasta há 11 meses, quando, na verdade, deveriam estar exercendo outro papel, de ator que interfere e age, fiscalizando e cobrando os órgãos, para contribuir com o final da crise. "Não era a Anac que tinha de estar fiscalizando para evitar que os aeroportos estivessem funcionando no limite, para as empresas não atrasarem seus vôos e desrespeitarem os passageiros?", indagou um dos interlocutores. "Há uma completa falta de compreensão em relação ao verdadeiro papel que eles têm de exercer na agência, levando a comportamentos incompatíveis de seus dirigentes, que mais pareciam defensores dos interesses das agências", comentou um dos interlocutores. Dentro desta estratégia de conseguir atingir todos os dirigentes da Agência, responsabilizando-os pelos problemas e falta de fiscalização no setor, é que o ministro da Defesa manteve a abertura do processo de investigação na Anac, a ser feita pelos três integrantes da Controladoria-Geral da União. Nesta segunda-feira, o ministro Jobim deve assinar a instauração da investigação para publicá-la no Diário Oficial.  

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