Lula e PT discutem o futuro de Berzoini

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT ainda discutem a situação do coordenador da campanha presidencial pela reeleição e presidente do partido, Ricardo Berzoini, supostamente envolvido no episódio da compra de um dossiê para prejudicar os candidatos do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, e ao governo de São Paulo, José Serra. Fontes em Brasília disseram que ele deve deixar a coordenação da campanha de Lula e seria substituído pelo deputado José Pimentel, do PT do Ceará. A situação de Berzoini se complicou na terça-feira, quando ele reconheceu que sabia que assessores seus teriam encontro com um repórter da revista Época, embora tenha dito que não sabia que o objetivo deles era o de convencer a publicação a divulgar o dossiê. Na reunião desta quarta, em que estavam presentes Lula, ministros e o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Berzoini insistiu na afirmação de que não sabia do dinheiro - R$ 1,75 milhão, apreendido com dois dos envolvidos na compra do dossiê -, mas justificou a operação de busca do dossiê, afirmando que, em uma campanha eleitoral, é necessário ter esse tipo de contra-informação. Na reunião, foi usado o argumento de que toda campanha eleitoral tem a prática de comprar informações paralelas, muitas vezes até como proteção contra o adversário. Nesse caso específico, outro motivo foi mencionado na reunião: o dossiê seria para ajudar o candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, já que a campanha para a Presidência estava resolvida, com a clara tendência de vitória de Lula no primeiro turno. De acordo com relatos de participantes da reunião, Lula disse ter se surpreendido com a informação de que Oswaldo Bargas e Jorge Lorenzetti estavam formalmente trabalhando na campanha. Lula, segundo relato, não sabia que Bargas havia deixado o Ministério do Trabalho. Com a cobrança irritada de Lula, Berzoini assumiu a responsabilidade pela entrada dos dois na campanha.Armação da oposiçãoChamado para a reunião, o responsável pelo marketing da campanha de Lula, João Santana, fez um relato das pesquisas que estão sendo feitas desde que o episódio está ocupando o noticiário. De acordo com as explicações de Santana, parte do eleitorado acha que o episódio é resultado de uma armação da oposição. Segundo ele, essa percepção se dá principalmente pelo tom agressivo das declarações feitas por oposicionistas. Ainda segundo Santana, uma parte da população acha que o PT pode estar envolvido, e outra, embora também identifique o PT como envolvido, afirma não estar segura se o presidente Lula está ou não envolvido. Santana afirmou que o monitoramento continuará sendo feito e que poderá haver o crescimento da faixa do eleitorado que atribui o episódio a uma armação da oposição. Isso se daria porque setores da oposição entendem ser essa a última chance de crescimento de seu candidato e podem adotar discursos cada vez mais agressivos.

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