Lula elogia esquema de segurança dos jogos Pan-Americanos

Presidente acrescenta que novo programa de segurança dará certo 'se criarmos uma corrente positiva'

Tânia Monteiro, do Estadão,

20 de agosto de 2007 | 19h22

Em discurso durante cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o esquema de segurança montado para o Jogos Pan-Americanos e avisou que o programa que está sendo anunciado nesta segunda-feira, 20, vai dar certo. "É só vocês recorrerem a quatro anos e meio atrás que vocês vão ver o ceticismo com o lançamento do programa Fome Zero, que não ia dar certo, não ia dar certo, assim como o programa Luz Para Todos, não ia dar certo, a nossa política econômica, que não ia dar certo, não ia dar certo, não ia dar certo", afirmou Lula. E avisou, sob aplausos da platéia, que incluía 11 governadores: "Como todos nós fizemos curso de perseverança, está dando tudo certo". Depois de dizer que as pessoas têm "a mania de torcer pela desgraça", o presidente desabafou afirmando que "se criarmos uma corrente positiva em torno deste programa, não há porque ele não dar certo". Lula avisou que a experiência de sucesso da segurança no Pan vai ser exportada para outros Estados. Para o presidente, este programa de segurança também vai dar certo porque ele tem a parceria dos governos estaduais e das prefeituras. "Vamos apertar o cerco do Estado contra o banditismo", disse, ao salientar que os resultados do programa não virão amanhã, porque ele é para cinco anos, quando serão investidos R$ 6,4 bilhões. "Se criarmos uma corrente positiva em torno do programa, não há porque não dar certo", declarou o presidente, que passou a criticar os pessimistas que condenaram, anteriormente, outros programas do governo. Em seguida, Lula lembrou que nos anos 40 se descobriu a geografia da fome, que governo "conseguiu equacionar e vencer libertando mais de 11 milhões de lares da rotina perversa da fome e da insegurança alimentar". E prosseguiu: "Faremos o mesmo agora, para enfrentar e vencer a geografia da violência e da criminalidade, que ameaça dividir o território nacional como uma afronta ao Estado, à democracia e ao cidadão". Lula informou que está encaminhando 94 medidas destinadas à enfrentar o crime organizado.Segundo o presidente, as 11 áreas metropolitanas beneficiadas pelo Pronasci serão também beneficiadas pelas obras do PAC, o que significa maior segurança para estes espaços urbanos. "Não é por acaso que isso acontece quando a nossa economia vive um sólido processo de expansão, protegida das turbulências externas, com reservas superiores a 160 bilhões de dólares", observou o presidente. "Sabemos muito bem que o crescimento é indispensável para acelerar a inclusão social. Mas aprendemos com as iniqüidades do passado. Ele não é suficiente para corrigir desequilíbrios seculares, dos quais a violência é o efeito colateral que se projeta com perversa autonomia sobre o conjunto da sociedade", afirmou. Mão firme Para Lula, "o Pronasci vai tratar a violência urbana com a mão firme do Estado e a convicção democrática de que é preciso reverter a exclusão de muitos, se quisermos viver num país de todos". De acordo com o presidente Lula, mais do que um programa de segurança pública, mais do que uma polícia eficiente, mais do que uma polícia que não tenha medo de enfrentar o crime organizado, estamos investindo em inteligência e apostando todas as nossas fichas de que é possível recuperar a parte da juventude brasileira que já andou meio desencaminhada". Após insistir que, se não envolver a sociedade, os pais e a família, se não houver parceria haverá mais dificuldade de vencer esta batalha, Lula afirmou que "há muito tempo aprendeu que determinado tipo de comportamento do ser humano a gente não resolve mais com pancadaria, com cassetete, com celas cada vez mais apertadas e com mais tempo de cadeia". E prosseguiu: "Eu acho que grande parte dos problemas que nós temos no Brasil, nós iremos resolver, na medida que aumente a oferta de oportunidades pelas prefeituras, estado e o governo federal". Para Lula, na hora que estes jovens perceberem que há outro caminho, todos ganharemos. Lula anunciou ainda que nos próximos quatro anos serão 146 bulhões em habitação e saneamento básico, em 11 cidades metropolitanas, dentro do PAC. Lula disse ainda que "o que está sendo deflagrado aqui, não é apenas uma agenda de governo". Segundo ele, "na verdade talvez seja a mais séria disputa da nossa geração, aquela da qual depende a convergência do nosso futuro e a própria unidade do nosso País". De acordo com Lula, "o crime organizado, a exemplo da miséria e talvez fosse mais correto dizer, valendo-se em parte dela, pretende substituir nosso território físico e social por um odioso apartheid de medo e opressão". E acentuou: "recuar, diante deste desafio, seria renunciar à construção de uma sociedade integrada pela democracia e pelo bem estar coletivo". Segundo Lula, o governo sabe onde se dá a base da disputa e mapeou o território e carências e definiu-se obras, ações e ofensivas. "Mas, sobretudo temos consciência de que a mãe de todas as batalhas consiste em conquistar corações e mentes dos pais, das crianças e da juventude, grande parte vivendo no abandono das regiões metropolitanas em todo o País". O programa do governo consiste em seis projetos de lei, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), um decreto e uma medida provisória.

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