"Lula errou em não ter ido a debate", diz cientista político

O cientista político da Tendências Consultoria, Rogério Schmitt, criticou nesta sexta-feira a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não participar do debate presidencial na noite de quinta na Rede Globo. "Acho que teria sido preferível ter comparecido. Ele errou", avaliou. Segundo ele, ir ao debate teria sido a escolha mais correta, uma vez que Lula ainda tem vantagem grande nas pesquisas de intenção de voto em relação aos demais candidatos. "Lula não é novato, inocente em debates. Não ir foi subestimar a própria capacidade de responder aos adversários".Schmitt reconheceu que Lula estava diante de um dilema, uma vez que se comparecesse sabia que correria o risco de se transformar no alvo preferido de seus adversários e ser derrotado no debate. "Por outro lado, fazer o que ele fez traz o risco embutido de ele ser visto como alguém que ´fugiu´ do debate", disse. "O presidente deve ter escolhido a estratégia que julgou menos ruim", acrescentou. Para o cientista político, o impacto da ausência de Lula no debate só será mesmo conhecido com a divulgação da pesquisa Datafolha no sábado. "Não esperamos nenhuma reviravolta", afirmou Schmitt. Mas, segundo ele, como a vantagem de Lula em relação ao candidato Geraldo Alckmin diminuiu nas últimas pesquisas, qualquer mudança pode fazer a diferença. "Não se pode descartar as chances de 2º turno", analisou.ImpugnaçãoSchmitt afirmou também que a eventual vitória de Lula no primeiro turno não deverá implicar em um processo de impugnação de seu mandato, mesmo com toda a pressão que vem sendo exercida pela oposição, sobretudo do PSDB e PFL, por conta dos desdobramentos das investigações do dossiê Vedoin. "Eu não acredito muito na possibilidade de uma impugnação judicial após o resultado da eleição", reiterou.Schmitt não acredita que Lula, caso reeleito, comece o próximo mandato enfraquecido por conta das denúncias do caso do dossiê. "Pelo contrário. Ele tende a começar o mandato numa situação favorável, com um nível de popularidade grande", avaliou.Segundo Schmitt, passada a campanha eleitoral, cerca de 90% do clima de polarização entre situação e oposição vai desaparecer. "A poeira vai baixar e os ânimos que andaram exaltados devem se acalmar e acho que há um espaço considerável de diálogo entre governo e oposição." Ele acredita que o mais importante é olhar para os fundamentos. E se houver segundo turno, ele acredita que a campanha não será tão monótona. "Não acho que o principal foco da campanha de segundo turno será a corrupção", opinou. Na sua avaliação, um dos grandes desafios do próximo governo será recuperar a dignidade política, "qualquer que seja o resultado das eleições". Schmitt destacou que houve "uma piora na avaliação que a sociedade brasileira faz dos políticos". Ele aposta numa renovação maior do Congresso por causa dessa percepção do eleitorado. "É muito ruim para a sobrevivência de um regime democrático que a ética esteja tão por baixo como está e a corrupção esteja tão por alto como está. Isso não é bom para ninguém e, a longo prazo, poderá inviabilizar a convivência democrática. Por isso este será um desafio sério a ser enfrentado pelos governantes que serão eleitos."

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