Lula está perplexo, angustiado e triste; diz Tarso

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, afirmou nesta terça-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está perplexo, angustiado e triste com a divulgação das notícias envolvendo Freud Godoy, ex-assessor especial da Secretaria Particular da Presidência em um esquema de compra de dossiê contra candidatos tucanos. Contudo, segundo Tarso Genro, o presidente tem repetido que se alguém tomou atitude ilegal tem que ser responsabilizado penal e criminalmente.O ministro disse que a divulgação de documentos e dossiês não ajudam o presidente. "Pelo contrário", afirmou. Ele defendeu a idéia de que o PT trate com mais radicalismo estes casos. "Dizer que isso pode inviabilizar a candidatura do presidente é uma bobagem golpista, sem fundamento, um oportunismo delirante. O presidente que for eleito, seja Lula ou Alckmin, vai ser eleito e vai governar", afirmou.Em entrevista no Palácio do Planalto, Tarso disse que se nada for comprovado contra Freud Godoy, a situação dele, cuja exoneração já foi publicada no Diário Oficial desta terça, poderá ser reexaminada. Na sua opinião, se for comprovada a participação de integrantes do partido no episódio do dossiê, "a pena tem que ser o dobro".Afastamento de LorenzettiEle afirmou que é favorável ao afastamento do PT de Jorge Lorenzetti, apontado como um intermediador na negociação do dossiê contra tucanos. Lorenzetti foi apontado ontem por Freud Godoy como o intermediador dos encontros que teve com o advogado Gedimar Passos - preso na sexta-feira, em São Paulo, com R$ 1,75 milhão, que seria usado na compra do dossiê Vedoin. Ele será investigado pela Polícia Federal como um dos pilares do escândalo.O envolvimento de Lorenzetti com Lula e com a cúpula do PT transcende as relações político-partidárias. Apontado como homem com trânsito livre no Palácio do Planalto, ele é também o churrasqueiro preferencial do presidente nos encontros promovidos na Granja do Torto. Um desses churrascos foi o que Lula ofereceu ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante a transição de governo. Ou mesmo no churrasco oferecido ao líder cubano Fidel Castro, em 2003.Diretor do Besc desde março de 2005, Lorenzetti pediu licença do cargo em 1º de agosto para integrar a campanha à reeleição do presidente, em Brasília. A própria indicação dele para o cargo foi feita diretamente pela Presidência, mas a assessoria do banco não quis confirmar se foi um pedido pessoal de Lula.Coincidência ou não, o atual presidente do Besc, Eurides Luiz Mescolotto, é também um velho amigo de Lula e de Lorenzetti. Indicado pelo presidente para assumir o banco - que foi federalizado em 1999 -, Mescolotto é ex-marido da senadora Ideli Salvatti (PT-SC).Consta que na primeira quinzena de julho o próprio Lorenzetti e a senadora Ideli foram recebidos em Brasília. No encontro se discutiu, entre outras coisas, a criação de um comitê suprapartidário em Santa Catarina em apoio à reeleição.A confiança de Lula em Lorenzetti não se restringe aos seus horários de lazer. Em 21 agosto de 2003, durante discurso do presidente, no lançamento do Pólo de Fruticultura da Amazônia, no município de Benevides (PA), Lorenzetti foi nominalmente citado por Lula como alguém em quem os presentes deveriam ´confiar´, como um bom homem de relações internacionais. De fato, Lorenzetti é conhecido como um exímio arrecadador de fundos internacionais. Esse histórico começou em meados da década de 90, quando ele era uma das principais lideranças nacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT) - quando a entidade ainda não tinha relações profundas com o PT.Um ex-petista que participou da fundação do partido e da campanha de Lula em 1989 disse que, por volta de 1994 e 1995, Lorenzetti formava, juntamente com Delúbio Soares (tesoureiro) e Gilmar Carneiro (secretário-geral), o tripé de comando da CUT. Segundo esse ex-petista, foi por meio da ligação de Lorenzetti com Lula e o ex-ministro José Dirceu que a CUT passou a se aproximar do PT e começou a buscar fundos internacionais para formação sindical.Enfermeiro por formação, Lorenzetti foi também o primeiro candidato a prefeito de Florianópolis pelo PT, em 1985.

Agencia Estado,

19 de setembro de 2006 | 17h05

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