Lula faz apologia do sexo seguro e distribui camisinha

Temporão providenciou preservativos após reclamações de dona Marisa

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

24 Fevereiro 2009 | 00h00

Entregue ao espírito do carnaval, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez apologia do sexo seguro no Sambódromo do Rio ao distribuir camisinhas durante o desfile da Beija-Flor, pouco antes das 4 horas de ontem. Ao lado do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, Lula atirou cartelas de preservativos ao público. Segundo o ministro, foi a primeira-dama, Marisa Letícia, que, involuntariamente, transformou o presidente em garoto-propaganda da campanha do Ministério da Saúde. Marisa se queixou ao ministro de que a cesta de utilidades do banheiro do camarote tinha de tudo, menos camisinha. "Liguei para Sérgio Cortes (secretário de Saúde do Estado do Rio) e ele me trouxe várias, logo abasteceram os camarotes com muitas camisinhas", contou Temporão. Antes de distribuir os envelopes, Lula brincou e guardou alguns no bolso.A maior parte dos políticos do Rio foi relegada a uma espécie de condição de segunda classe e não teve acesso ao presidente. O camarote do governador Sérgio Cabral (PMDB), com 300 convidados no ano passado, abrigou menos da metade no primeiro dia dos desfiles de 2009. O camarote, no terceiro andar do setor 9, foi dividido em duas alas. Na reservada para Cabral, circulavam secretários estaduais e municipais. No lado direito, Lula tinha privacidade, embora tenha contado com a companhia de Cabral e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e suas mulheres, Adriana e Cristine.Ministros como Orlando Silva (Esportes) e Edson Santos (Igualdade Racial) e secretários tinham uma pulseira azul com acesso ao camarote do governador, mas poucos entraram na área de Lula. A maioria ficou na área de Cabral. Zeca do PT, ex-governador de Mato Grosso do Sul , e o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, ficaram na área privativa de Lula. Durante o desfile da Beija-Flor, o deputado federal e primo de Anísio Abrahão David, Simão Sessim (PP), mandou seguranças entregarem a Lula um kit da escola. Anísio, patrono da agremiação, foi preso quatro vezes pela Polícia Federal. Assessores temiam que a imagem do presidente fosse associada ao dirigente. No camarote, Lula tirou fotos ao lado de Simão Sessim, pai do prefeito de Nilópolis, Sérgio Sessim, e do ex-deputado Farid David, irmão de Aniz. Lula não deixou o camarote por conselho da segurança e sua presença não foi anunciada pelo locutor do Sambódromo, para evitar possíveis vaias. Mas, na apresentação da Beija-Flor, foi saudado pelo puxador da escola. "Olha o presidente Lula aí, gente!", gritou Neguinho da Beija-Flor. A saudação, no entanto, não provocou reação nas arquibancadas, já que Lula não estava muito visível. O presidente e Cabral evitaram chegar à sacada com copos na mão. Bebida alcoólica, porém, não faltou. Segundo convidados e funcionários, Lula bebeu uísque, cerveja e se serviu de cravinho - cachaça, limão, cravo e mel. A imprensa não teve acesso ao camarote enquanto o presidente esteve no local. Após a saída de Lula, o Estado o percorreu. Nos bares, garçons ainda serviam champanhe Moët Chandon. No bar, havia vinho tinto e garrafas de uísque. O presidente jantou no lounge formado por três sofás e um pufe diante de uma TV de plasma. Ele se serviu de bacalhau e risoto de queijo roquefort. No banheiro unissex, uma caixa continha remédios como Sonrisal e aspirina. Na pia, embalagens de Engov demonstraram que convidados recorreram ao remédio contra ressaca.Lula e Marisa deixaram o Sambódromo às 5h15. Ao deixar o camarote, Lula e Cabral entraram nos automóveis do comboio presidencial, sem dar entrevistas. Lula afirmou apenas esperar a vitória da Beija-Flor. "Foi maravilhoso", disse. Indagado se gostaria de voltar no ano que vem, respondeu: "Se Deus quiser". Ele e Marisa chegaram a Brasília às 7h30.

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