Lula festeja e fala em ''fazer mais'' por índios

Na festa de um ano da demarcação, presidente promete levar energia à reserva

Tânia Monteiro, ENVIADA ESPECIAL, BOA VISTA E MATURUCA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

Ao comparecer à festa de um ano da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez promessas aos índios, prometeu levar energia elétrica à região e avisou que pretende voltar ao local até setembro, antes das eleições.

"Anotem na agenda. Eu, o ministro Temporão (da Saúde) e o nosso querido presidente da Funai voltaremos aqui para saber de tudo o que nós falamos", garantiu o presidente.

Com um discurso de que é preciso fazer "mais" - semelhante ao lema do candidato do PSDB ao Planalto, José Serra, "nós podemos mais" -, Lula comparou-se a um vaga-lume ao citar a estrutura temporária - com luz e banheiro - montada para recebê-lo ontem. "Na hora em que eu virar as costas, vocês vão ficar no escuro outra vez, como se eu fosse um vaga-lume", comparou.

Na sequencia, o presidente fez outra promessa. "Eu já pedi para o companheiro Jucá (senador) ligar para o governador e dizer para deixar essa luz, porque chegando em Brasília vou mandar o ministro de Minas e Energia vir aqui para resolver esse problema", assegurou à plateia que o assistia sob o sol forte.

Ausência. O governador de Roraima citado por Lula é o tucano José Anchieta Júnior, que defende a demarcação em ilhas e a permanência dos não-índios na região - ao contrário da decisão do Supremo Tribunal Federal.

Por isso, o governador preferiu não ir à festa organizada pelo Conselho Indigenista de Roraima (CIR) e pela Funai em comemoração ao Dia do Índio.

Lula conversou com lideranças indígenas, passou boa parte da solenidade com uma indiazinha no colo, usou um cocar azul e plantou uma árvore. Ganhou um arco e flecha e ensaiou uma brincadeira de apontá-lo para os fotógrafos e cinegrafistas.

Ao reiterar que é preciso fazer mais pelos índios, Lula afirmou que quem estava dizendo aquilo não era o presidente da República cobrando de ninguém, "É o presidente da República cobrando dele mesmo. Nós precisamos fazer mais. E precisamos fazer cada vez mais."

O presidente se queixou das críticas e dos outdoors espalhados em Boa Vista contra seu governo, por ter feito a demarcação contínua das terras indígenas e a expulsão dos não-índios das terras de Roraima.

"Era como se nós fôssemos o demônio, porque diziam que a gente iria tirar a terra que Roraima precisava para produzir" disse. "Um Estado com tanta terra ainda sem produzir, alguns queriam exatamente a terra que não era deles, que era dos índios."

Marco histórico. O presidente insistiu que "a demarcação representa um marco histórico, pela extensão da terra, pelos interesses envolvidos e pelos obstáculos que precisaram ser vencidos". Afirmou ainda que evitou ir antes ao local por causa da divergência que se estabeleceu no Estado de Roraima.

Ele ignorou as insatisfações dos outros grupos indígenas, contrários à decisão do STF de retirar fazendeiros e arrozeiros da região. "Os índios estão muito felizes com a demarcação da Raposa Serra do Sol", disse.

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