Lula foge do tema segurança pública, diz Alckmin

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse neste domingo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silvia foge do tema da segurança pública. "Ele diz que quem tem polícia são os Estados, e que então o problema não é com ele, e sim com os governadores. Eu vou fazer o contrário, assumir responsabilidades", afirmou.Segundo Alckmin, o crime não tem fronteira de Estado. "Os Estados enxugam gelo, porque há um tráfico de drogas e armas escandaloso passando por fronteiras, por falta de policiamento", comentou. Ele afirmou que irá fortalecer a polícia de fronteiras, num trabalho conjunto com a Polícia Federal e as forças armadas, além de liberar recursos dos fundos de segurança e penitenciário. "Podemos avançar bastante; a questão tem dimensão nacional."Questionado se manterá a mesma política estadual de segurança caso eleito para a Presidência, o candidato não respondeu diretamente, mas preferiu listar seus planos para a área. "Hoje praticamente não existe uma política de segurança na esfera federal, quase nada saiu do papel." A idéia de Alckmin é, num primeiro momento, rever a legislação. "Há atualmente leis muito duras para criminosos pequenos e leis muito fracas para o crime organizado." Outro objetivo é criar um conselho nacional de segurança pública, com a participação de todos os secretários estaduais do setor.Em relação aos assassinatos de 33 agentes penitenciários em São Paulo, o ex-governador disse que o Estado tem investigado as questões. "Isso traz um enorme sentimento de pesar pelos assassinatos bárbaros. Vamos atuar com investigação, inteligência policial e prender esses membros do crime, sejam mandantes ou não." Segundo ele, o problema da segurança no Estado é uma guerra a ser vencida todos os dias. "Às vezes perdemos uma batalha, mas o importante é a firmeza com que a questão está sendo tratada", disse, se referindo ao atual governador do Estado, Cláudio Lembo.O candidato também comentou a situação dos presos que estão amontoados nas penitenciárias que foram depredadas na onda de rebeliões que tomou o Estado. "É uma questão transitória, e o governo está trabalhando para arrumar o que for destruído. Pelas informações que tenho, nessa semana parte disso deve estar resolvido."Ele disse que as imagens dos presos são tristes, mas lembrou que a situação não ocorre por acaso, mas sim como resultado da destruição de 17 penitenciárias. "São Paulo tem 140 mil presos. Como fazer? Não podemos soltá-los." Ele lembrou ainda que, no ano passado, o índice de fuga no Estado foi de apenas 0,13% do total sendo que, nas prisões de segurança máxima, não houve nenhum caso.ViagemO candidato do PSDB à Presidência da República concedeu entrevista coletiva neste domingo no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), pouco antes de embarcar para a Europa. Passará por Portugal - onde se encontrará com o presidente, Aníbal Cavaco Silva, e com o primeiro ministro, José Sócrates - e por Bruxelas, para conversar com o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso.A idéia é falar sobre o comércio internacional brasileiro, que tem na União Européia seu principal cliente, com 24% do total. A América Latina é a segunda colocada, com 22%, seguida pelos Estados Unidos, com 20%. "O acordo entre União Européia e Mercosul é absolutamente prioritário para diminuir o protecionismo e os subsídios da Europa, além de aumentar a oferta de produtos manufaturados e agrícolas do Brasil.""Não faremos uma política externa partidarizada", afirmou, em resposta a um questionamento sobre as diferenças de sua política externa e a do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. "O interesse é nacional e da produção brasileira, da defesa do emprego no País. O mundo não deve ser diminuído num sistema globalizado. Nossa prioridade de comércio deve estar onde haja possibilidade de expandir o mercado", afirmou.O candidato também comentou o aumento do número de pessoas na classe média no governo Lula. Ele considerou a notícia "ótima" para o candidato do PT, mas disse que pode-se avançar mais. "Apesar de a classe média ter crescido, o número de ricos cresceu mais. Houve piora no saneamento básico e na infra-estrutura", afirmou.

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