Lula governa à direita e faz campanha à esquerda, diz NYT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva "governou na direita", mas "fez campanha na esquerda" - assim o jornal The New York Times tentou definir os quatro anos do governo petista, e explicar a estratégia que levou à reeleição do atual ocupante do Palácio do Planalto, neste domingo. A matéria publicada nesta segunda-feira diz que Lula "garantiu os superávits primários que deleitam Wall Street e o Fundo Monetário Internacional (FMI)". Mas soube usar essas medidas para passar sinais de soberania."Um pagamento de empréstimo ao FMI, por exemplo, foi embalado para fazer parecer que Lula estava dizendo à instituição para não enfiar o nariz nos negócios do Brasil."As eleições brasileiras foram destaque em jornais internacionais ao redor do planeta nesta segunda-feira. Quase todas as matérias notaram a reabilitação do presidente identificado com os pobres, apesar das denúncias de corrupção contra seu governo.Feridas O Wall Street Journal diz que "usando carisma e um ar de homem comum para superar escândalos de corrupção, Lula venceu facilmente o segundo turno das eleições brasileiras".Mas o jornal alerta que Lula terá pela frente o "formidável desafio de curar as feridas deixadas por uma campanha amarga, que apelou para diferenças regionais e de classe".O Washington Post preferiu interpretar as eleições brasileiras como um "referendo em relação a Lula", segundo as palavras de um eleitor entrevistado em sua matéria."Para muitos, Alckmin foi simplesmente o receptor dos votos de protesto, passivo em uma eleição completamente definida pelo carismático porém controverso Lula", diz o jornal.Mercosul ´em festa´ Os jornais argentinos destacaram que a vitória de Lula fortalece os planos de "mais Mercosul" - expressão utilizada pelo argentino Página 12 em contraposição ao "Mercosul puramente econômico de Geraldo Alckmin"."Os aliados do Mercosul estão em festa", diz um dos artigos do jornal nesta segunda-feira. O Clarín aborda os principais desafios do próximo governo, e diz que Lula será cobrado para que o país supere seu ?crescimento anêmico? em torno de 2% ao ano, e se aproxime da média de 4,8% da América Latina.Para o jornal, a necessidade de melhoras na educação - pré-requisito para impulsionar qualquer projeto de desenvolvimento - é uma das metas que une brasileiros de todos os matizes políticos.Tranqüilidade O La Nación deu destaque à tranqüilidade das eleições, notando que os eleitores foram às urnas "em paz, mas com menos entusiasmo que no primeiro turno", e que "a mobilização dos partidos foi significativamente menor para esta rodada que para o primeiro turno".Em outra matéria, o correspondente do mesmo diário traçou um perfil de Lula, retratando-o como um homem bem-humorado que fechou a cara em meados de 2005, em meio ao aparecimento das primeiras denúncias do escândalo do mensalão."Neste ano (de 2006), com a recuperação de sua popularidade, (Lula) voltou a se mostrar afável", diz o diário. "Esse é o estilo que possivelmente manterá em seu segundo mandato, quando tiver de usar todas as armas de seu carisma para navegar nas águas turbulentas da luta política por sua sucessão."

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