Marcos Alves / O Globo
Marcos Alves / O Globo

Lula inicia campanha de Haddad e incomoda PT

Para ex-presidente, ministro ''está na disputa'' pela Prefeitura, mas dirigente do PT paulistano afirma que ''outras opiniões'' serão consideradas

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2011 | 00h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou pública ontem uma posição que havia meses manifestava apenas nos bastidores em relação às eleições municipais de São Paulo em 2012: seu apoio à candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, para a sucessão de Gilberto Kassab. Os sinais de que Lula já iniciou a campanha de Haddad incomodam setores do PT, que temem pelo "tratoraço" na escolha do candidato.

"Acho que o companheiro Haddad é adequado", afirmou após ser questionado sobre seu apoio ao ministro, para em seguida minimizar e não ferir suscetibilidades. "Foi (sic) ministro da Educação e acho que ele está na disputa. Agora, quem vai decidir são os delegados do PT."

A manifestação do ex-presidente foi feita após ele ter participado de congresso da União Geral dos Trabalhadores (UGT), em São Paulo, no Palácio das Convenções do Anhembi, onde foi ovacionado. Na saída, quando o ex-presidente deixava o local para entrar em um carro, foi agarrado por uma fã e beijou a ponta do nariz dela.

"O Haddad é um nome que tem todas as qualificações e o presidente Lula tem todo o direito de se manifestar. Agora, é evidente que não é a só a opinião do presidente Lula que vai pesar nessa escolha, com o maior respeito que temos pela opinião dele", afirmou o vereador Antonio Donato, presidente municipal do PT.

Donato, um dos encarregados de coordenar o processo de escolha do candidato, lembrou que o diretório paulistano do PT acertou que até dezembro o nome será lançado. "Isso já foi informado ao presidente Lula, inclusive", disse ele.

Os setores do PT que não apoiam Haddad - por ora, a maioria da militância - têm motivos para ficar atentos.

Em entrevista publicada pelo Estado na última segunda-feira, Haddad disse que seu nome estava colocado no PT como pré-candidato. Ontem e anteontem, Lula fez diversos elogios ao ministro. Na quinta, ele afirmou que Haddad "vai entrar para a História como o ministro que mais fez para a educação".

Dessa forma, Lula repete a estratégia que usou com a presidente Dilma Rousseff quando esta era ministra-chefe da Casa Civil: mais de um ano antes da eleição começa a enaltecer as qualidades de seu preferido na disputa, desta feita também um desconhecido do eleitorado.

A ressalva feita pelo presidente ontem - "quem vai decidir são os delegados do PT" - coaduna-se com o tom "pisando em ovos" adotado por todos os petistas, sem exceção, no delicado momento do quadro do partido.

Estrategicamente, ele dá o recado e, como sua posição tem peso dentro do PT, blinda as críticas de opositores da candidatura de Haddad.

A despeito de o PT falar em construir um nome de consenso, a disputa já está acalorada. A senadora Marta Suplicy, o outro nome forte colocado na disputa, trabalha nos bastidores com o fato de ser conhecida do eleitorado, pois foi prefeita entre 2001 e 2004 e chegou ao segundo turno quando candidata em 2008.

Seus aliados chegaram a dizer internamente que, caso o nome de Haddad fosse efetivamente colocado na mesa, ela pediria a realização de prévias. O presidente municipal do PT nega.

"Até hoje escutei dela que também quer um processo que evite as prévias", diz Donato. "As prévias são possibilidade, mas nós queremos evitá-las."

Outro nome forte também citado por petistas é o do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia).

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