Lula invoca Judas e diz que vence no 1º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva invocou neste domingo a traição de Cristo pelo apóstolo Judas para justificar a crise causada na sua campanha à reeleição pelo envolvimento de petistas no escândalo do dossiê Vedoin. "Não será o PT o único partido a ter companheiros que cometam erros", disse, em comício para 3.800 pessoas, em Sorocaba. "Numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo e, na mesa dos Inconfidentes, um traiu Tiradentes", afirmou. "Mas as idéias deles permaneceram." Apesar dos estragos causados pelo escândalo - pesquisas divulgadas no sábado mostram que sua vantagem para vencer no primeiro turno caiu para apenas 3 pontos - ele disse que a vitória está garantida. "Nunca falei que ia ganhar no primeiro turno por modéstia, por respeito. Mas agora falo, nós vamos ganhar essas eleições domingo e, se alguém achar que vai para o 2º turno, pode esperar para concorrer em 2.010." Lula disse que essa campanha não é de um candidato contra outro, mas "a campanha do povo trabalhador contra uma elite aristocrática que manda nesse País desde que Cabral chegou aqui". Ele disse que seus adversários não têm ódio dele, mas sim do povo, "porque o pobre está participando das coisas". Ele voltou a conclamar os petistas a mostrarem os números positivos do seu governo. "Ao invés de ficarem falando mal deles (os adversários), vamos falar bem de nós". Depois de citar que o número de empregos cresceu 22% em todas as categorias sindicais da região, enumerou verbas liberadas para saneamento básico em Sorocaba, cidade administrada pelo PSDB. O petista disse ainda que programas como o Bolsa-Família incomodam seus adversários. "Por não terem condições de explicar o que fizeram, fazem o jogo rasteiro da denúncia. Podem mandar fazer exame para saber o que eu fazia de mal quando era feto. Vamos ganhar de cara limpa." Antes de encerrar o discurso, citou lideranças sindicais presentes e lembrou que as pessoas compram alimentos mais baratos nos supermercados. "Dia 1º de outubro é dia da onça beber água e essa oncinha está com sede", disse. "Vão ter que se curvar à maioria do povo brasileiro." Um forte esquema de segurança marcou o comício do presidente que, no sábado, tivera seu carro atingido pelo ovo atirado por um manifestante, em Araraquara. O saguão do aeroporto, onde desceu o Boeing presidencial, foi interditado. Uma escolta formada por 2 viaturas da Polícia Militar, 1 da Polícia Civil e 9 batedores em motos acompanhou a comitiva do aeroporto até o local do comício, a Praça Fernando Prestes, no centro da cidade. Depois do discurso, Lula surpreendeu a segurança e desceu no meio do público, à frente do palanque. Deu autógrafos, beijos e abraços, em meio ao empurra-empurra. ´Conspirata´O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB), que participou do comício em Sorocaba, denunciou o que chamou de "conspirata" da oposição para evitar um novo mandato do presidente Lula. "As forças do atraso, que o governador Cláudio Lembo chamou de elite branca, essa turma que sempre conspirou contra um país democrático, estão articulando para impedir que o povo brasileiro seja aquele que vai definir a eleição. É a mesma elite, segundo Aldo, que se opôs à República, levou Getúlio Vargas ao suicídio e tentou, por três vezes, tirar o mandado do presidente Juscelino Kubistcheck. João Goulart tentou governar com o povo e foi apeado do poder pelas mesmas forças que acham que o povo não sabe votar porque quer votar no Lula." Ele pediu a "fiscalização do povo para que não prospere a ´conspirata´ de meia dúzia de aristocratas que pensam que são donos da vontade do povo brasileiro." Situação difícilJá o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, admitiu que a situação do partido é difícil. "Os erros cometidos são graves e foram cometidos por petistas, por militantes do nosso partido." Mercadante defendeu a apuração rigorosa, tanto no que se refere aos petistas, quanto a possíveis adversários citados no dossiê. "Temos de ter coragem de cortar na carne onde tiver que cortar. Espero que os responsáveis assumam, para que não fique nas costas daqueles que jamais aceitariam iniciativas dessa natureza."Este texto foi alterado às 12h11 para correção de informação.

Agencia Estado,

24 de setembro de 2006 | 16h21

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