Lula ironiza crítica feita por Itamar Franco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta sexta-feira com ironia o crítica do ex-presidente Itamar Franco que o classificou como arrogante no comando do governo, ao anunciar na quinta-feira, 27, o apoio ao tucano Geraldo Alckmin. "As pessoas que chegam acima de 75 anos têm de ter no mínimo liberdade de fazer suas opções e não sou eu que vou fazer julgamentos", afirmou Lula, que participa da posse do presidente do Peru, Alan García. Itamar completou 76 anos em junho.Segundo Lula, o Brasil é um país livre em que 180 milhões de brasileiros podem torcer para o Corinthians ou para o Palmeiras, para o Flamengo ou para o Vasco, sem que isso seja ofensivo a qualquer pessoa".Questionado se a falta de apoio de Itamar significaria a perda de um apoio importante, Lula respondeu que não porque não o havia procurado. Diante das insistências de repórteres de que Itamar sempre foi um aliado de primeira hora, Lula respondeu que quando o ex-presidente ocupou a embaixada do Brasil em Lisboa, "ele foi embaixador do Brasil, não foi embaixador meu".Já o governador do Acre, Jorge Viana, que integra a comitiva do presidente Lula, lamentou as declarações de Itamar Franco. "Ele tem mais afinidade com o nosso projeto do Brasil do que com o projeto de Alckmin, afirmou "A gente têm de estar com a porta sempre aberta para ele".Para Jorge Viana, a atitude do ex-presidente não pode ser chamada de traição. Lembrou que "ele já foi e voltou várias vezes", referindo-se à troca de partidos e de apoio ao governo feitas por Itamar.Questionado se isso significa que o governo iria procurá-lo para reverter a situação, Jorge Viana disse que acha difícil reverter a situação. "Mas não podemos entregar os pontos. O presidente Itamar é uma pessoa importante seja para dar opiniões, seja para estar junto da gente. Acho que a ação dele é inteiramente incompatível com a do governador Alckmin. Não dá jogo".Sobre o comentário de Itamar de que Lula seria arrogante no comando do governo, Jorge Viana procurou minimizar, alegando que a crítica não seria ao presidente, mas ao partido e ao governo. "Têm setores do PT que são arrogantes mesmo. É preciso lembrar que o cargo de presidente impõe uma série de posturas", disse.

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