Lula leva Dilma a festas sindicais no 1º de Maio; Serra vai a evangélicos

PT espera aumentar inserção da pré-candidata entre servidores e PSDB escolhe SC para evitar confronto no berço do sindicalismo

Malu Delgado, Julia Duailibi, Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

No calor da sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará, pela primeira vez desde que foi eleito, dos atos do 1.º de Maio das centrais sindicais em São Paulo, na função de cicerone de Dilma Rousseff. Em contrapartida, o tucano José Serra deve se encontrar com lideranças evangélicas em Camboriú (SC).

A estratégia dos petistas é usar a presença histórica de Lula, num momento de pouca rivalidade entre as centrais, para tentar aumentar a inserção de Dilma entre servidores estaduais. Seria um contraponto com os tucanos, que têm larga vantagem eleitoral em São Paulo, mas não neste segmento. No 1.º de Maio de 2004, 2005 e 2006, Lula participou de missa em homenagem aos trabalhadores em São Bernardo do Campo, mas nunca prestigiou eventos das centrais na capital como presidente.

Além de Dilma, o pré-candidato ao governo, Aloizio Mercadante, e a pré-candidata ao Senado, Marta Suplicy, estarão ao lado de Lula nos eventos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Força Sindical, e da UGT, CTB e Nova Central.

Já o PSDB avaliou que a ida de Serra a Santa Catarina amanhã é estratégica para evitar um confronto com Lula no berço do sindicalismo, histórico eleitorado petista. Como governador, Serra enfrentou embates com servidores da Educação e afirmou que os protestos, feitos por entidade ligada à CUT, eram políticos.

As centrais afirmam que convidaram todos os presidenciáveis para os eventos. Dilma, porém, é a única que estará em todos os megaeventos organizados pelas entidades. A CUT contratou Milton Nascimento e Carlinhos Brown. A Força estima gastar R$ 2 milhões no evento.

Marina. A pré-candidata do PV, Marina Silva, até ontem só confirmou presença no ato conjunto da UGT, CTB e Nova Central, em São Paulo. Antes, visitará trabalhadores de uma fábrica de plástico biodegradável em Sertãozinho, interior do Estado.

O PT aposta nos dividendos eleitorais dos discursos de Lula nos eventos. O presidente, no último ano do mandato, se "despedirá" dos trabalhadores, enfatizando ações de seu governo.

Longe de São Paulo, Serra participará do 28.º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora. O convite foi feito pelo pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC, sigla com a qual os tucanos buscam aliar-se. Organizadores do evento estimam um público de 20 mil evangélicos. Para o PSDB, a agenda proporcionará maior retorno eleitoral.

A fuga dos tucanos dos eventos das centrais vai na contramão das articulações do PSDB nos bastidores em busca de apoio e aproximação com o meio sindical. Em São Paulo, a interlocução é comandada pelo pré-candidato Geraldo Alckmin. Nem ele nem Serra confirmaram presença, até ontem, em atos das centrais.

A investida do PSDB ao setor atrelado ao PT passa pela inclusão, em sua chapa, de candidatos com representação sindical. Um exemplo foi a filiação ao PSDB de Antônio de Sousa Ramalho, vice-presidente da Força.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.