Lula levará sucessora nas próximas viagens ao exterior

Presidente quer apresentar Dilma no cenário internacional; primeira parada [br]será em Moçambique

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

Depois de passar os últimos meses dedicados às viagens de campanha pelo Brasil, como cabo eleitoral pela eleição da sua candidata Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reinicia neste fim de semana sua agenda de viagens internacionais levando a tiracolo a presidente eleita. Antes, Dilma deve viajar hoje à noite para descansar até o fim de semana para, no domingo, iniciar seu circuito internacional.

Lula se tornará, agora, cabo eleitoral de Dilma no cenário externo, apresentando-a como sua sucessora em todas as viagens multilaterais que vai fazer até o fim de seu mandato. Ele já havia combinado isso com Dilma e reiterou o convite na noite de domingo, no Palácio da Alvorada, durante a festa da vitória.

A primeira delas será a Moçambique, na África, que será apenas uma escala para a viagem a Seul, na Coreia do Sul, onde, nos dias 11 e 12 de novembro, Lula participará da reunião do G-20, que reúne os 20 países mais ricos do mundo.

Estratégia. O reforço do convite a Dilma para acompanhá-lo a Moçambique faz parte da estratégia de Lula, que quer que a futura presidente dê continuidade à consolidação das estreitas ligações que tem construído e mantido ao longo de seus oito anos com os países africanos. Depois que deixar o Planalto, uma das atribuições do presidente Lula, conforme já ressaltou, será continuar atuando de forma efetiva para ajudar esses países.

Na noite do dia dez, Lula e Dilma, pelo calendário preestabelecido, embarcam para Seul, para a reunião do G-20. Embora a nova presidente já conheça alguns dos chefes de Estado dos principais países do mundo, Lula quer ciceroneá-la e usar o seu prestígio para inserir a sua sucessora, garantindo o espaço que o Brasil ocupou nestes últimos anos.

Na reunião do G-20 deverão estar presentes os presidentes e primeiros-ministros da Coreia do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, África do Sul, Turquia e a União Europeia.

Dilma deverá acompanhar Lula ainda em duas outras viagens multilaterais: dia 25 de novembro a Georgetown, capital da Guiana, na reunião da Unasul, e dias 17 e 18 de dezembro, na reunião do Mercosul, em Foz do Iguaçu.

Avião. Na viagem de domingo, uma questão operacional deverá ser ainda discutida na Presidência da República. Não é costume o presidente e seu substituto viajarem juntos no mesmo avião.

Sendo assim, Lula e Dilma não devem seguir juntos no Aerolula para Moçambique e, depois, Seul. Neste caso, a presidenta eleita poderá embarcar no Legacy ou no EMB-190, que também podem atravessar o Atlântico, desde que façam duas escalas. No caso do Aerolula, que é um Airbus 319, ele costuma sair de Brasília, vai a Salvador e depois segue direto para Maputo, em Moçambique.

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