Lula libera R$ 60 milhões para reurbanização da Rocinha

Acusado pelo casal Garotinho de ter boicotado o Rio durante todo o seu primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira uma defesa veemente da cidade, que ele classificou como "a cara internacional do Brasil", e teceu loas ao novo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), afirmando ter visto nele "a possibilidade concreta de uma ligação umbilical" entre o Estado e o governo federal. Exemplo da parceria foi o convênio firmado pela manhã, no Palácio Laranjeiras, para a liberação de R$ 60 milhões destinados à reurbanização da Rocinha, a maior favela da capital fluminense. Durante a solenidade, Lula declarou que "há muita coisa para o Rio" no programa que deve anunciar na segunda-feira, ressaltou a importância da união entre as duas esferas de governo, e tomou para si o desafio de, junto com Sérgio Cabral, recuperar a auto-estima do carioca. "Nós temos quatro anos para provar que o Rio pode ser diferente", afirmou, acrescentando estar convencido de que os dois vão cultivar a melhor relação que já houve na história da República. "Queria dizer ao governador que o seu início de governo foi muito vigoroso, uma demonstração de que você veio para mudar a história do Rio", disse o presidente, considerando que o apoio a Cabral é necessário para a promoção de mudanças na cidade. "O que está em jogo é a recuperação da dignidade e da auto-estima do Estado e da cidade do Rio. Não é possível que o gesto magnânimo de Deus de criar esta cidade extraordinária esteja sendo jogado fora pela incapacidade e pela insensibilidade de alguns políticos que passaram pelo Rio", declarou, numa crítica velada a Anthony e Rosinha Matheus, que governaram o Estado entre 1999 e o ano passado.Lula contou ter ordenado a liberação da verba para a Rocinha, por acreditar que ela poderá promover uma melhoria da qualidade de vida na favela que, disse ele, precisar parar de aparecer nas páginas policiais dos jornais. "Eu chamei o ministro do Planejamento e falei: olha, vire-se e vamos ter que dar, se não puder dê uma parte e depois a gente dá o restante no começo do ano", relatou o presidente, acrescentando que a primeira parte do dinheiro não teria sido utilizado porque o governo estadual, na gestão de Rosinha, falhou na contrapartida necessária ao projeto.O convênio firmado prevê uma contrapartida de R$ 12 milhões do Estado. Porém, as intervenções na Rocinha serão feitas com base em um projeto orçado em R$ 150 milhões, do arquiteto Luiz Carlos Toledo, escolhido em um concurso promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Segundo explicou o vice-governador do Rio e secretário de Estado de Obras, Luiz Fernando Pezão, o dinheiro do governo federal já está depositado na Caixa Econômica Federal (CEF), aguardando apenas os projetos que vão detalhar a aplicação dos recursos. Dentro de três ou quatro meses, avaliou, será iniciada a primeira etapa da urbanização, quando serão construídos prédios dentro da Rocinha. "A prioridade é deslocar as pessoas que estão em áreas de risco para apartamentos dentro da própria comunidade", afirmou. A etapa seguinte consiste na demarcação da área, para evitar a expansão irregular, que deverá ser controlada também com a construção de um anel viário ao redor da favela. O projeto prevê ainda a construção de creches, de uma unidade pré-hospitalar, de um centro de convenções e de uma fábrica de módulos pré-moldados em argamassa, onde serão empregados moradores da comunidade.

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