Cristiano Mariz / Revista Veja
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Lula mantém Erenice, mas quer reação rápida

Lula e equipe de Dilma estão preocupados com repercussão do caso e, se necessário, candidata do PT poderá 'jogar ao mar' a antiga colaboradora

Vera Rosa, João Domingos, Leonencio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou reação rápida da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, à denúncia de envolvimento num esquema de lobby no governo. Por enquanto, Erenice será mantida no cargo, mas pode cair se aparecerem novas acusações. Na avaliação do Planalto, o episódio causa estragos na campanha de Dilma Rousseff (PT).

Lula e a equipe de Dilma estão preocupados com a repercussão do caso. Na noite de ontem, por exemplo, as principais emissoras de TV deram destaque ao assunto do tráfico de influência na Casa Civil.

O governo foi informado de que haverá novas denúncias sobre a atuação de parentes de Erenice. "Se começar a pipocar uma coisa aqui e outra ali, muda o cenário. Aí ela terá de se afastar", disse ao Estado um dos auxiliares de Lula. "Recomenda-se agilidade no tempo eleitoral."

Há menos de seis meses no cargo, Erenice foi secretária executiva da Casa Civil quando Dilma era ministra, de junho de 2005 a março deste ano. Sempre foi definida como "braço direito" da atual candidata do PT. Antes da Casa Civil, ela ocupou a assessoria jurídica do Ministério de Minas e Energia, também escalada por Dilma.

Em conversas reservadas, Lula tem dito que aprendeu uma "lição de ouro" em dois mandatos: quando o escândalo bate à porta, é melhor demitir logo a tentar manter o ministro "sangrando". Nessas ocasiões, o presidente sempre lembra que demorou a se decidir pelo afastamento de José Dirceu, antecessor de Dilma na Casa Civil, e de Antonio Palocci - ex-ministro da Fazenda e hoje um dos principais coordenadores da campanha -, prolongando crises.

Choro. Foi aos prantos que Erenice procurou colegas de governo, ainda no sábado - quando a revista Veja começou a circular com a denúncia de que seu filho Israel Guerra tinha um escritório de lobby -, para rebater as acusações. Disse que estava sendo vítima de "crime contra a honra". Por orientação de assessores da Presidência, ela redigiu uma nota em que punha seus sigilos fiscais, bancários e telefônicos, assim como os do filho, à disposição.

Na noite de domingo, Erenice foi recebida por Lula, no Palácio da Alvorada. O presidente disse, segundo relato de um auxiliar, que as respostas da ministra tinham de ser "rápidas e esclarecedoras" e que ela teria oportunidade de se defender.

Dilma é amiga de Erenice, mas, se necessário, poderá "jogar ao mar" a antiga colaboradora. Em 2008, Erenice foi acusada de montar um dossiê, na Casa Civil, com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Na reta final da campanha e com a liderança de Dilma nas pesquisas, o Planalto fará de tudo para evitar outro escândalo associado à candidata do PT. Apesar das notas divulgadas pela Casa Civil, negando todas as informações de Veja, assessores próximos a Lula admitiram ontem que Israel Guerra recebeu pelo menos R$ 120 mil em transferência bancária do empresário Fábio Baracat, autor da denúncia.

O impacto negativo na campanha de Dilma foi medido por pesquisas diárias, encomendadas pelo marqueteiro João Santana.

Em reuniões e conversas com dirigentes do comitê petista, no fim de semana, Lula deu o tom de como seria a blindagem à candidata. Não foi à toa que no debate entre os presidenciáveis promovido pela RedeTV!, no domingo, Dilma procurou se distanciar de Erenice. Isso significa que ela não apenas não porá a mão no fogo pela amiga como baterá na tecla de que esse é um assunto a ser investigado pelo governo, "doa a quem doer".

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