Lula mantém Mantega no ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, será mantido no cargo. A confirmação é do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito neste domingo, em entrevista nesta segunda-feira à TV Bandeirantes. "Mantega continua ministro até quando eu quiser. Sou eu que digo quem vai ser o ministro. Ele não deixará o governo por causa de especulação de um ou de outro", disse. Lula fez questão de ressaltar que a política econômica seguida nos últimos quatro anos "é do governo". "Não era uma decisão do Palocci, é do governo", afirmou ele referindo-se a Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda.O dia pós-eleição foi marcado por especulações sobre mudanças na política do governo e de integrantes da equipe econômica. A afirmação do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, de que acabou a "era Palocci" contribuiu para este clima de especulações.A permanência de Mantega, contudo, já era articulada nos bastidores do governo antes mesmo da reeleição de Lula. O chamado ?grupo desenvolvimentista? defende a permanência de Mantega, para conduzir uma política monetária, a partir de 2007, que permita queda mais rápida da taxa real de juro e um ritmo mais forte de crescimento da economia.Segundo os mesmos informantes, Mantega tem apoio da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como o nome mais forte do segundo mandato de Lula. A força de Dilma no governo está sendo comparada à do ex-ministro José Dirceu, em seus primeiros meses na Casa Civil, antes do escândalo envolvendo o seu assessor Waldomiro Diniz.Nesta segunda-feira, em entrevista à Rádio CBN, a ministra reafirmou que o governo manterá o regime de metas de inflação e o controle de gastos. Segundo ela, isso significa que, "de forma bastante cuidadosa, será possível almejar a questão do crescimento econômico".Ambiente políticoNa entrevista à TV Bandeirantes, Lula admitiu ainda que muitos petistas deram trabalho na campanha eleitoral. "Alguns companheiros meteram os pés pelas mãos", afirmou o presidente sem, no entanto, mencionar o escândalo envolvendo petistas com a negociação do dossiê Vedoin, com denúncias contra tucanos. Ele destacou que os adversários sempre dão trabalho. O presidente considerou bom o fato de as eleições presidenciais não terem sido definidas no primeiro turno. "O segundo turno permitiu que discutíssemos algumas coisas", afirmou.O presidente reconheceu que sem a oposição fica difícil fazer a reforma política mas, na sua opinião, existem vários assuntos que já são consensuais no Congresso como a fidelidade partidária e o financiamento público de campanha. "Quero que os líderes do governo tratem de trabalhar a reforma política com os líderes de oposição", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.