Lula: ''Não podemos ficar subordinados ao juiz''

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou ontem pela primeira vez de um ato político de apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) desde que ela deixou o governo, há nove dias, e criticou a Justiça Eleitoral. Na abertura do encontro do PC do B, Lula afirmou que ninguém pode ficar esperando, a cada eleição, mudanças na lei e garantiu que fará "campanha na rua" para Dilma.

, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

"Não podemos ficar subordinados, a cada eleição, ao juiz que diz o que a gente pode ou não fazer", discursou Lula, que cancelou reunião com a Comissão de Ética da Presidência, na noite de ontem, para ir ao ato de apoio do PC do B à ex-ministra da Casa Civil. "Não podemos permitir que nosso destino fique correndo de tribunal para tribunal."

Dilma usou o tema da educação para atacar o ex-governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto e reiterou que é preciso impedir o retorno das "forças do atraso" e do lobo em pele de cordeiro. "Jamais colocaremos a polícia nas ruas contra os professores", garantiu, aplaudida por cerca de 1,5 mil manifestantes, numa referência velada ao confronto da polícia com os professores estaduais, que estão em greve.

A candidata do PT também deu uma estocada indireta no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao pregar uma ampla mobilização da família - e principalmente das mães - contra as drogas. "Não há lugar mais para charme traiçoeiro do falso liberalismo que se contenta com a descriminalização das drogas", disse. Em mais de uma ocasião, Fernando Henrique defendeu a descriminalização do porte da maconha para consumo pessoal, embora considere seu uso danoso.

MULTA

Apesar de dizer que precisava tomar cuidado com as palavras porque já fora multado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula se comportou como fiador da candidatura de Dilma à sua sucessão. Em seu discurso, tratou a candidata do PT como se ela já estivesse eleita.

"Eles pensam que eu sou duro nas negociações? Vão ver quando a Dilminha chegar lá", afirmou, numa alusão à defesa veemente que faz da reforma da Organização das Nações Unidas (ONU).

A uma plateia de comunistas, Lula contou que vai ao Irã em maio dizer ao presidente Mahmoud Ahmadinejad que o Brasil é contra as armas nucleares. "Eu vou falar para o Ahmadinejad: escuta, meu amigo, qual é que é? O seu limite é o nosso. O que não pode é pensar que (os Estados Unidos) vão fazer com o Irã o que fizeram com o Iraque."

Foi ao falar de suas viagens internacionais que Lula citou Dilma e disse que a candidata do PT é mais dura do que ele. "E a Dilma vai chegar à Presidência com o orgulho de um país que é credor do Fundo Monetário Internacional", insistiu.

Bastante à vontade entre os comunistas, chegou a cantar um trecho de canção de Martinho da Vila - que deu um show à parte no ato político - para dizer que ele e o vice-presidente José Alencar são "dois analfabetos funcionais". "Se o Martinho fizesse uma música para nós, ele ia dizer "Felicidade/Eu passei no vestibular/Particular/Ela é particular", cantarolou.

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