Lula não vê culpa no caso, mas cúpula do setor aéreo deve cair

Presidente da Infraero é considerado fraco para o cargo e ministro da Defesa terá funções esvaziadas por conselho

O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2007 | 05h13

O governo chegou ao fim do dia de ontem convicto de que a tragédia envolvendo o Airbus A-320, do vôo 3054 da TAM, foi um desastre e não tem ligação direta com a crise da infra-estrutura aeroportuária do País. Por isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não planeja montar formalmente um gabinete de crise, mas pretende demitir em breve a cúpula da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e tirar poderes do ministro da Defesa, Waldir Pires. A idéia de Lula é reforçar o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), criado em 2003 para assessorar a Presidência nas questões relacionadas ao tráfego aéreo.O Planalto teme parecer ''''autista'''' na crise, que começou em setembro do ano passado, após o choque do Boeing da Gol com o jato Legacy. Lula e assessores ainda avaliam a conveniência de o presidente fazer um pronunciamento sobre o assunto.Reservadamente, Lula queixou-se do brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, considerado fraco para desempenhar a função. Toda a responsabilidade pelo acompanhamento do caso foi transferida ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito.Lula sabe, porém, que é preciso adotar providências rápidas para combater a imagem de que o governo não consegue resolver a crise e já cobra resultados dos auxiliares. É com base nessa análise que ele pretende reforçar o Conac e construir uma saída honrosa para o ministro Waldir Pires. O Conac é, formalmente, presidido por Pires, mas será criada uma secretaria-executiva, como prevê seu estatuto, para gerenciar as ações referentes ao tráfego aéreo. As mudanças aumentam a expectativa sobre a primeira reunião do conselho, após anos desativado, prevista para sexta-feira.Pires não deve ser defenestrado nesta semana porque, para o Planalto, sua saída, agora, equivaleria a carimbar o governo como ''''incompetente'''' na questão aérea. Mas ninguém mais dúvida de que ele deixará a equipe. Aliados do presidente dizem, sob condição do anonimato, que Lula já deveria ter dispensado Pires, mas não o fez por vínculos de amizade.ERRO HUMANOPara formar a convicção de que o acidente com o avião da TAM não foi provocado pela pista escorregadia de Congonhas, o Planalto foi abastecido ao longo do dia com informações técnicas dadas por peritos e pilotos experientes da Força Aérea Brasileira (FAB). A maioria desses pilotos avaliou que pode ter havido uma combinação de falha mecânica com falha do piloto. Lula foi informado de que mais de cem pousos e decolagens foram feitos em Congonhas, anteontem, nas mesmas condições meteorológicas enfrentadas pelo avião da TAM.A notícia da tragédia chegou ao Planalto por volta das 19h30 de anteontem. ''''Meu Deus do céu, que tragédia! Como pode?'''', reagiu Lula. A informação foi dada pelo brigadeiro Joseli Camelo, assessor da Presidência para assuntos de Aeronáutica. ''''Nossa informação é de que todos morreram.''''

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