Lula pede ''''corrente positiva''''

Ele promete ''''mão firme'''' contra o crime, sem pancadaria

Tânia Monteiro e Paula Puliti, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2021 | 00h00

Usar a ''''convicção democrática'''' e a ''''mão firme do Estado'''' no ''''cerco ao banditismo'''', mas ''''sem pancadaria''''. A receita da segurança pública contra o crime foi dada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento, no Palácio do Planalto, do Pronasci. Apesar dessas convicções, Lula apelou aos presentes para que formem uma ''''corrente positiva'''' como forma de garantir que o programa dê certo e para bloquear ''''a mania de (algumas pessoas) torcerem pela desgraça''''.No discurso de apresentação do programa, Lula fez uma espécie de profissão de fé no uso de políticas sociais para combater previamente o crime. ''''Precisamos levar junto com a urbanização a escola, o posto médico, a área de lazer'''', antes ''''de as pessoas se tornarem criminosas''''. A meta, disse, é ''''transformar redutos do crime organizado em lugares de paz e cidadania'''', uma vez que ''''o crime organizado, a exemplo da miséria, pretende substituir nosso território físico e social por um apartheid de medo e opressão''''. Depois de reclamar contra o hábito de algumas pessoas de ''''torcerem pela desgraça'''', o presidente recomendou pensamento positivo.''''É só vocês recorrerem a quatro anos e meio atrás que vão ver o ceticismo com o lançamento do programa Fome Zero, que não ia dar certo, assim como o programa Luz para Todos não ia dar certo, a nossa política econômica, que não ia dar certo.'''' O presidente acrescentou: ''''Como todos nós fizemos curso de perseverança, está dando tudo certo''''. Para Lula, ''''o Pronasci vai tratar a violência com a mão firme do Estado e a convicção democrática de que é preciso reverter a exclusão de muitos, se quisermos viver num País de todos''''.O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso qualificou ontem o estilo do governo Lula de ''''Cabo Canaveral (base de lançamento de foguetes dos EUA), lança, lança, lança, mas o problema não é lançar, é concretizar, aterrissar''''. O comentário foi feito em referência ao PAC da Segurança.Fernando Henrique admitiu desconhecer os detalhes das medidas, mas afirmou que, de forma geral, as idéias sobre segurança são ''''antigas e se renovam a cada não sei quanto tempo. Tenho medo que venhamos a nos transformar numa espécie de Cabo Canaveral'''', reiterou, pouco antes de proferir uma palestra em São Paulo.

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