Lula pede fim do ''jogo de empurra''

Ao abrir conferência nacional, presidente garante que setor será prioridade e não terá apenas ?resto de dinheiro?

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 Agosto 2009 | 00h00

Ao abrir a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou responsabilidade de todos os governantes e da sociedade na condução da segurança pública no País. Ele disse que é preciso acabar com o "jogo de empurra" na busca de culpados pela violência. Mas, imediatamente, atribuiu o crescimento da violência "aos vários modelos econômicos que foram empobrecendo parcela grande da sociedade". Em seguida, anunciou que a segurança "não será mais tratada como coisa de segunda categoria, com aplicação de resto de dinheiro", mas, sim, como prioridade. "Toda vez que acontece uma coisa grave de violência, passamos meses e meses tentando responsabilizar ou encontrar culpado, se é o governo federal, estadual, a Polícia Militar, a Civil ou se temos de recorrer à Polícia Federal. É um jogo de empurra como se segurança pública fosse um cachorro que morre de fome porque todo mundo pensa que o outro deu comida e ele não recebe comida de ninguém", discursou, advertindo que "a responsabilidade é de todos, coletivamente, e tem de envolver a sociedade brasileira". Falando de improviso, Lula afirmou que "é preciso parar de dizer que violência no Brasil é porque a polícia é corrupta e melhorar a formação dos nossos policiais, para que eles possam, cada vez mais, utilizar a inteligência e cada vez menos a força bruta". Na opinião do presidente, é preciso criar condições para que o policial "não seja encarado como um inimigo da sociedade, mas como um guardião, um parceiro daquela comunidade". "Ele está ali para manter a ordem e punir quem está fazendo a desordem." Lula foi muito aplaudido ao defender melhores condições de trabalho e salário para os policiais. "Polícia e Deus são tratados do mesmo jeito. Tem muita gente que é ateu, mas só fala em Deus quando está em perigo. Com a polícia também. Gostam da polícia quando percebem que vão entrar em uma enrascada e dizem: ?que bom que o policial está aqui para me proteger?." O presidente ressalvou que, se o policial não for bem formado, não tiver salário adequado, não conseguirá dar segurança nem para sua família. Lula destacou que seu governo investe nas periferias das cidades, justamente para ajudar no combate à criminalidade e afirmou que o trabalho de inteligência resolve muito mais no combate à violência e ao crime organizado. E salientou que, muitas vezes, o policial "é o menos culpado" quando age com violência, já que isso é sinal de que está mal preparado. Para o presidente, no entanto, "se todos assumirem as suas responsabilidades, certamente daqui a 10 ou 15 anos a segurança pública será tratada não como, de vez em quando acontece, com as pessoas querendo que a polícia mate mais gente, que seja mais virulenta". O secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, defendeu a ampliação das polícias comunitárias. Para ele, é a solução para o Estado devolver a polícia à comunidade.

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