Lula pede pressa na reconstrução do Estado

Em 2.ª visita a locais da enchente, ele diz que agora há um novo paradigma sobre como lidar com desastres naturais

Evandro Fadel e Lourival Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu ontem, em Blumenau, região do Vale do Itajaí, que os governos federal, estadual e municipais "farão tudo o que tiver de ser feito para recuperar Santa Catarina". Ele sobrevoou pela segunda vez os municípios atingidos pelas enchentes e desmoronamentos, que deixaram 126 mortos e 27 desaparecidos, oficialmente. "Temos de trabalhar 24 horas para ajudar a fazer Santa Catarina voltar a ser o que era", disse Lula.Durante visita a um dos 36 abrigos do Estado onde ainda estão 2.591 pessoas, o presidente afirmou que as Defesas Civis nacional e do Estado farão um levantamento do que foi destruído. "Vamos ter de fazer (a reconstrução) com tranqüilidade, sabendo da pressa, porque não podemos ficar com as crianças muito tempo fora da escola." Por meia hora, o presidente abraçou e confortou cerca de 250 desabrigados. Lula, sem muitos sorrisos, tirou fotos e deu autógrafos aos desabrigados. No abrigo em Blumenau, Lula recebeu das mãos de Vergínia Pereira da Silva um quadro com a fotografia de sua filha, Luana Sofia Egler, de pouco mais de 3 anos. Segundo ela, a menina foi a primeira criança a morrer na tragédia. A casa da família foi destruída na tarde do dia 22 de novembro. "Quando uma mulher entrega para a gente a fotografia de sua filha de 3 anos que morreu soterrada, a gente não tem nem palavras para dizer a ela", declarou o presidente. O abraço foi emocionado.NOVO PARADIGMA Mais tarde, em Itajaí, Lula disse que o País estabeleceu em Santa Catarina "um novo paradigma sobre como lidar com catástrofes naturais". Depois de sobrevoar áreas afetadas, Lula exaltou a "harmonia" entre os governos federal, estadual e municipais, ao lado do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e de sete ministros. "O que anunciamos hoje não acontece hoje", advertiu o presidente, depois de os ministros fazerem um balanço das medidas adotadas. Após explicar que as liberações de verbas dependem da apresentação de documentações de prefeituras e beneficiados, enfatizou: "Queremos acompanhar a concretização de cada coisa." Em Itajaí, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, anunciou R$ 1,7 bilhão em linhas especiais de créditos com maiores prazos de carência e juros menores para a recomposição do capital de giro e de estoques de micros e pequenas empresas, e para o pagamento de aluguéis, férias e 13º salário. Os empréstimos feitos aos agricultores afetados pelas chuvas serão "repactuados".O ministro dos Transportes, Alfredo Pereira do Nascimento, anunciou contrato de obras no valor de R$ 123 milhões em quatro rodovias federais: as BRs 101, 680, 470 e 282. Até 31 de janeiro, as estradas estarão recuperadas. Pedro Brito, dos Portos, afirmou que serão investidos R$ 350 milhões na recuperação do Porto de Itajaí, que está parado e soma prejuízo diário de US$ 35 milhões.

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