Lula pede votos e Dilma ataca tucanos

Com direito a ironia sobre slogan de Serra, petista defende militância contra ditadura e alfineta o rival: 'Posso apanhar, mas não fujo'

Clarissa Oliveira, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

De um palanque montado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-ministra Dilma Rousseff soltaram a munição para tentar ofuscar o lançamento da pré-candidatura do ex-governador José Serra (PSDB). Sem se constranger ao pedir explicitamente votos para a petista, Lula juntou-se à ex-ministra em uma série de duros ataques ao tucanato.

Dilma, que assim como o presidente ironizou o slogan tucano "O Brasil pode mais", foi a primeira abrir fogo. Ao defender sua trajetória de militância contra a ditadura, mandou um recado a Serra, que na época buscou exílio fora do País. "Eu não fujo da situação quando ela fica difícil. Não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada como já fui, mas eu estou sempre firme com as minhas convicções", disse, sem citar nomes. "Fiz o que fiz porque acreditava no que fazia."

Subindo o tom a um ponto que até agora não havia aparecido nos discursos, a ex-chefe da Casa Civil definiu claramente seus alvos, diante da plateia de sindicalistas convocados na última hora para o ato. Além de Serra, voltou-se contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que eu afirmei ou o que eu escrevi."

Dilma voltou a criticar os "viúvos da estagnação", que agora descreveu também os "exterminadores de emprego e exterminadores de futuro". E arrematou com uma defesa do Estado forte: "Não vou diminuir o Estado, diminuir o seu papel, ao ponto de se tornar omisso e muitas vezes quase inexistente".

Votos. Lula, que foi alvo de duas multas aplicadas pela Justiça Eleitoral por propaganda antecipada, dessa vez pediu explicitamente votos para Dilma. "Vou tentar ser breve. Falarei o necessário para convencer vocês a votarem na Dilma", disse o presidente, que também defendeu abertamente a escolha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para o governo de São Paulo.

Ainda assim, Lula procurou se explicar pelas críticas feitas nos últimos dias à Justiça Eleitoral. "Fui mal compreendido ou mal interpretado", disse. "Eu fiz uma crítica aos partidos políticos, que não estabelecem uma legislação eleitoral definitiva, para não permitir que a gente fique subordinado à interpretação dos juízes sobre a lei."

O presidente foi enfático nas críticas ao slogan tucano. "Eles falam: O Brasil pode mais. Nós falamos: Nós fazemos mais", provocou Lula, que se vangloriou dos elogios recebidos do presidente americano Barack Obama. "Não adianta eles copiarem o Obama e dizer nós fazemos mais. Porque o Obama já disse que eu sou o cara."

Sem disfarçar o objetivo do ato, Lula reclamou dos "estrategistas da campanha", por causa do horário em que Dilma discursou. "Todo mundo sabe que os jornais, no sábado, fecham às 11h30", afirmou. E, ao comentar a festa tucana, teve o cuidado de incluir o ex-governador mineiro Aécio Neves na lista de alvos. Disse que o tucano declarou que é preciso reforçar as privatizações e emendou: "Foi o maior momento de aplauso da festa deles. Eu, sinceramente, não quero esses aplausos."

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