Lula põe diretor de basquete em agência

Ligado ao PMDB, novo diretor da ANTT diz conhecer transportes como 'usuário'

Leonardo Goy, João Domingos BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

Depois de adiar por um mês e meio a demissão de Carlos Henrique Custódio da presidência dos Correios, para não desagradar ao peemedebista Hélio Costa, candidato ao governo de Minas pelo PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a fazer afagos ao senador, dono de um importante palanque para a petista Dilma Rousseff.

Lula decidiu nomear para a diretoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) Jorge Luiz Macedo Bastos, cuja experiência no setor é resumida pelo própria em uma singela sentença. "Tenho experiência como usuário", admitiu ele ao Estado.

A nomeação de Bastos é uma forma de compensar Costa e o PMDB de Minas e do Rio pela demissão de Custódio. Ele é ligado a Costa e a Wellington Salgado, que ocupou a vaga de senador do primeiro, enquanto ele foi ministro das Comunicações.

Bastos foi assessor parlamentar dos dois. Era uma espécie de faz-tudo: cuidava da agenda e vigiava as nomeações políticas de agrado dos dois aliados do presidente.

Ao mesmo tempo, Bastos encontrava tempo para ser também diretor do Universo BRB, time de basquete de Brasília que pertencia a Salgado.

A indicação mantém a influência de Costa na ANTT. Bastos foi escolhido para substituir Francisco de Oliveira Filho, sobrinho do ex-ministro, que deixou a agência em fevereiro.

Concessões. A ANTT é uma agência que tem atribuições importantes dentro do Estado brasileiro. Cabe a ela regular as concessões de rodovias e de ferrovias, por exemplo.

É essa agência que calcula o valor dos pedágios das rodovias federais concessionadas. Além disso, ainda está encarregada do leilão do projeto do trem-bala que ligará São Paulo, Campinas e Rio.

Mesmo reconhecendo que tem a experiência dos usuários quando o assunto é transporte, Bastos acredita que isso não significa que ele não possa ser diretor da ANTT. "Trabalho em projetos de infraestrutura na administração pública", afirma. "Acho que estou capacitado para ser diretor da agência. Já há bastante técnicos no corpo da agência."

O nome de Bastos terá de ser submetido ao crivo da Comissão de Infraestrutura do Senado e também ao plenário da Casa, antes de ser confirmado pelo governo.

Desde o primeiro mandato, o o presidente Lula é criticado por causa das indicações políticas para as agências reguladoras criadas durante o governo Fernando Henrique.

Na própria ANTT, foi indicado como diretor, no ano passado, Ivo Borges Lima, que era assessor do senador Gim Argello (PTB-DF) e tesoureiro do partido no Distrito Federal.

Telecomunicações. Até o fim do ano alguns cargos importantes ainda ficarão vagos. Na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), vence em novembro o mandato de presidente de Ronaldo Sardenberg.

Sardenberg permanecerá ainda como conselheiro da agência, o que deve levar o governo a escolher um outro presidente entre os demais conselheiros: Emília Ribeiro - ligada ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) -, João Rezende e Jarbas Valente.

O mandato do quinto conselheiro da Anatel, Antonio Bedran, termina no mês de novembro, mas é provável que ele seja reconduzido ao posto.

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