Lula promete a Dirceu desmontar ''farsa do mensalão''

Reunido com ex-ministro, no encontro do PT, presidente avisa que, fora do governo, vai lutar pela reforma política

, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai desmontar a "farsa do mensalão" quando deixar o governo, em janeiro de 2011. O desabafo de Lula foi feito durante café da manhã com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, na quinta-feira, no Palácio da Alvorada.

Abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005, Dirceu foi o petista mais assediado na reunião de ontem do Diretório Nacional do PT. Fez muitos elogios à presidente eleita, Dilma Rousseff, criticou a formação do "blocão" no Congresso - integrado por cinco partidos (PMDB, PP, PR, PTB e PSC) - e disse que Lula vai cuidar da reforma política no ano que vem.

"Se o Supremo Tribunal Federal me absolver, a Câmara me anistia", afirmou Dirceu, com a expectativa de ser julgado até novembro de 2011. Deputado cassado pela Câmara no rastro do mensalão, ele havia antes presidido o PT durante oito anos, de 1995 a 2002.

Lula reafirmou a Dirceu, segundo apurou o Estado, que, assim que deixar o Planalto, vai atuar para a aprovação da reforma política - empacada no Congresso. Toda vez que se refere à crise do mensalão, ele diz que seu governo foi vítima de "cerco político" e de "golpe".

O presidente Lula chegou a afirmar, em 2005, que foi traído. Até agora, porém, não disse quem o traiu nem como pretende agir para provar que o escândalo não passou de caixa dois de campanha, como alega.

Interferência. Em conversa com Dirceu e com vários interlocutores, nos últimos dias, Lula também garantiu que não vai interferir no governo de Dilma. Está, porém, muito preocupado com a situação internacional, embora avalie que o Brasil tem condições de resistir às turbulências que possam acontecer na economia.

A resolução aprovada ontem pelo Diretório Nacional do PT dedica especial atenção à evolução da situação internacional, dominada por grandes incertezas no plano econômico e político, dos quais a "guerra cambial" é apenas um dos sintomas".

Além de cuidar da reforma política e de viajar pela América Latina e pela África, o presidente Lula quer se dedicar à articulação política no PT.

O presidente ficou muito contrariado com a tentativa do PMDB de pressionar Dilma, sob o argumento de que era preciso definir o comando da Câmara e do Senado.

Apetite. O apetite do PMDB de Michel Temer (SP), vice-presidente eleito, rondou a reunião de ontem do diretório nacional petista.

Apesar de não ter participado do comando da campanha de Dilma, Dirceu costurou acordos nos Estados com o PMDB, mas tomou o cuidado de não dar palpite sobre a cota do PT no futuro governo. "Não queremos hegemonismos e apoiamos o PMDB de forma irrestrita nos Estados", garantiu o ex-ministro. E concluiu, ressabiado: "Mas quem decide os ministérios é a presidente".

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