Lula promete 'brigar' com G-20 por valorização do real

Presidente, que terá Dilma a seu lado na reunião em Seul, culpou EUA e China por problemas cambiais

Renato Andrade / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2010 | 00h00

Após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter declarado que o mundo vive uma "guerra cambial", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem "brigar" durante o encontro dos chefes de Estados das 20 maiores economias do mundo (G-20) para encontrar uma solução que evite a contínua valorização do real. Para essa briga, Lula contará com a presidente eleita, Dilma Rousseff. "Vou para o G-20, agora, para brigar. Se eles já tinham problema para enfrentar o Lula, agora vão enfrentar o Lula e a Dilma", disse.

Lula acusou os Estados Unidos e a China de serem os responsáveis pelos problemas cambiais vividos por diversas economias e reafirmou que o governo brasileiro irá tomar "todas as medidas necessárias" para evitar uma sobrevalorização do real frente ao dólar americano. O encontro do G-20 ocorre na próxima semana em Seul, na Coreia do Sul.

Para o presidente Lula, a onda de valorização das moedas, principalmente dos países em desenvolvimento, é reflexo da tentativa de os Estados Unidos "resolver o problema do déficit fiscal deles" e da insistência da China em manter sua moeda subvalorizada. A equipe econômica insiste que a política do Federal Reserve (o banco central dos EUA) em tentar reativar a economia americana por meio da ampliação da oferta de dólares é o fator principal por trás da valorização do real e de outras moedas ao redor do mundo.

Na tentativa de interromper essa escalada, o governo brasileiro já lançou uma série de medidas, como o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações de estrangeiros em renda fixa no País e a emissão de títulos no mercado externo com rendimento atrelado ao real. Mesmo assim, a tendência de valorização do real não foi invertida.

Dilma Rousseff ponderou, entretanto, que o cenário atual exige uma ação mais integrada dos países, como o ministro Mantega vem defendendo.

"Numa situação dessas, não tem solução individual", disse a presidente eleita. Dilma também fez um alerta sobre os riscos de economias como a americana e a chinesa manterem políticas de "desvalorizações competitivas" de suas moedas, na tentativa de garantir preços mais atraentes para seus produtos no mercado global. "A última vez que houve isso, deu no que deu: a Segunda Guerra Mundial."

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