Lula promete polícia mais ''companheira''

No evento do Territórios da Paz, Tarso diz que PM saberá usar força

Wilson Tosta, RIO, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2008 | 00h00

Menos de cinco horas depois de Matheus Rodrigues Carvalho, de 8 anos, ter sido morto na Maré, zona norte do Rio, com um tiro na cabeça supostamente em uma ação da Polícia Militar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem no Complexo do Alemão o programa Territórios da Paz, de policiamento comunitário, criticando a violência policial e prometendo uma polícia "companheira". Diante de moradores e integrantes dos projetos do governo federal na região, como obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula afirmou que a corporação "é composta por seres humanos que têm pais, têm filhos e que, também como nós, têm medo" e defendeu "uma relação harmônica" entre policiais e cidadãos. O presidente afirmou que a atuação da polícia é necessária."Nem vocês podem ver a polícia como inimiga nem a polícia pode ver vocês como bandidos", disse o presidente, na solenidade, ao lado do governador Sérgio Cabral Filho e do prefeito eleito Eduardo Paes, ambos do PMDB. "A polícia estará aqui, porque é necessário ter a polícia, mesmo que a gente estivesse em paz. É preciso que tenha policiais, para evitar eventuais problemas que tem em toda e qualquer comunidade do mundo. Mas a polícia que vai atuar aqui vai ser uma polícia mais companheira das pessoas."Ao discursar, Lula deu a impressão de não saber do que ocorrera na Maré, onde PMs foram acusados de matar a criança por volta de 7h30. Lula lembrou que, ao anunciar o PAC, pedira a Cabral que lhe apresentasse propostas de melhorias em regiões consideradas mais inacessíveis, que são vistas "a cada dia" na televisão: "Rocinha, Complexo do Alemão, Manguinhos, Pavão-Pavãozinho, Maré e tantas outras comunidades", disse o presidente. "Quem não mora no Rio só via essas comunidades, nos jornais ou na televisão, no noticiário policial", afirmou Lula. O presidente lembrou que lançava ontem 20 projetos na região graças à parceria que estabeleceu com o atual governador. "Estamos começando a fazer no Rio uma coisa que, se der certo como eu penso que vai dar, nós estaremos fazendo uma revolução para resolver, definitivamente, o problema da segurança pública no Rio, em São Paulo, na Bahia, em Minas Gerais e em todos os lugares", afirmou. "Este programa vai ter mulheres daqui trabalhando, vai ter jovens daqui trabalhando nele, vai ter policiais daqui trabalhando de forma comunitária, vai ter Ponto de Cultura, vai ter formação profissional. Este é um programa completo de cidadania." O ministro da Justiça, Tarso Genro, que falou antes do presidente, defendeu com entusiasmo o Territórios da Paz e sua combinação com o PAC. "Este não é o velho modelo da polícia que entra, bate, atira e sai", afirmou. Tarso também defendeu a polícia que, segundo ele, saberá "usar a violência quando necessário". "Hoje é um dia muito importante para o Rio, é um dia muito importante para o Brasil."Realizada na antiga fábrica da Heliogás - uma das muitas antigas estruturas industriais da região, abandonadas por problemas econômicos ou de criminalidade - a solenidade teve produção cuidadosa, com apresentação do AfroReggae. O Territórios da Paz garantirá o estabelecimento de 20 postos comunitários no bairro, com 600 policiais, entre outros projetos. A ação, que começa no Alemão, Rio Branco (AC), Santo Amaro (PE) e Itapoã (DF), vai ter um investimento inicial de R$ 234 milhões.

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