Lula quer acordo com FHC, Itamar e Sarney, diz Tarso

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse que, se eleito neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer chamar os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco e José Sarney para uma ?concertação política?.Ele disse que a reforma política e as mudanças no trâmite legislativo e na execução do orçamento serão a prioridade do início de um eventual segundo governo Lula.A afirmação foi feita em uma entrevista coletiva à imprensa estrangeira em Brasília, em um momento em que Lula tem a menor margem de vitória no primeiro turno desde início da campanha."Queremos fazer um grande acordo político com todas as forças democráticas independentemente da sua linha ideológica e programática", afirmou.Em outras ocasiões em que um acordo político com a oposição foi mencionado, durante a campanha eleitoral, o PSDB sempre rejeitou discutir o assunto, afirmando confiar que haverá segundo turno.Pacto políticoGenro disse que, apesar das divergências atuais, cada um deles tem seu mérito na história recente do país."Eles têm uma obrigação, um dever histórico, e têm condições de contribuir com um pacto político de estabilização para o próximo período. Não achamos que seja muito difícil recompor estas relações", afirmou."Isso não significa nem a solução de todas as divergências nem misturas programáticas, mas a tentativa de buscar pontos de convergência", afirmou.O ex-presidente Fernando Collor ficaria de fora, ?porque ele foi cassado?, explicou Tarso Genro.Segundo Genro, Lula também quer estabelecer ?pontos de diálogo? com governadores de partidos da oposição, como Aécio Neves, em Minas Gerais, e José Serra, em São Paulo, que as pesquisas colocam como liderando as intenções de voto em seus Estados.PrioridadesAs prioridades do início de um eventual segundo governo Lula, disse Tarso Genro, serão a reforma política e mudanças nas regras do Orçamento.A reforma política tem sido uma das bandeiras da campanha do PT e de Lula, que diversas vezes atribuiu os escândalos que atingiram o governo e o partido a supostas fraquezas do sistema político brasileiro.Para a reforma política, o PT defende três pontos: fidelidade partidária, financiamento público das campanhas políticas e voto em lista preparada pelo partido. Mas o partido admite negociar mudanças para um projeto de consenso com outros partidos.A instituição da fidelidade partidária e do voto em lista fortalece as cúpulas partidárias e, na avaliação do PT, pode facilitar a costura de acordos que garantam sustentação ao governo no Congresso - já que o PT e os partidos mais ideológicos que fazem parte da base do governo não devem eleger parlamentares suficientes para dar maioria a um eventual segundo governo Lula."A coalizão (de partidos para garantir a governabilidade) depende de partidos políticos com capacidade de enquadrar suas bases", disse Tarso Genro.Na legislatura atual, houve 241 trocas de partido na Câmara dos Deputados e 23 no Senado.Para as mudanças nas regras do Orçamento, Tarso Genro não tem uma proposta fechada, mas defende discussões para alterações das emendas individuais e maior ou menor flexibilidade nos itens que atualmente têm uma parcela reservada (como Saúde e Educação).

Agencia Estado,

29 de setembro de 2006 | 09h21

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