Lula quer que PF controle uso de celulares nos presídios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer levar para os governadores, em reunião nesta terça-feira, um pacote com novas medidas na área de segurança para tentar conter o avanço da violência no País. Encabeça a lista uma proposta para barrar imediatamente o uso de celulares nos presídios, providência que o governo vem tentando adotar já há algum tempo, sempre sem sucesso. O bloqueio nunca foi colocado em prática por falta de acordo com as companhias e agora depende da aprovação de um projeto de lei que aguarda votação na Câmara.O pacote de segurança teria impacto principalmente nos Estados de São Paulo e Rio, mas muitas das ações precisariam ser tomadas em conjunto com os governos estaduais, segundo informou um interlocutor do presidente. De acordo com tal fonte, Lula fica irritado cada vez que se tem notícia de problemas provocados pelo de celulares nos presídios.Serviço de inteligênciaA intenção do Planalto é que o serviço de inteligência da Polícia Federal tenha participação fundamental no controle da utilização desses telefones. Para tanto, será necessário ampliar o efetivo da PF. Além de impedir que os bandidos administrem seus negócios escusos de dentro da cadeia, o bloqueio de celulares combateria também o golpe do falso seqüestro, pelo qual presidiários telefonam para cidadãos de classe média, simulam o rapto de parentes da vítima e exigem dinheiro.Além de presidiários, quadrilhas de estelionatários estão se espalhando por todos os Estados, devido ao elevado grau de sucesso do golpe. O pânico produzido pelo clima de violência do País favorece os bandidos. Uma americana que vive em São Paulo chegou a dirigir até o Rio, conversando com bandidos na linha, pensando que seu filho estivesse nas mãos deles. Só não pagou o resgate porque foi interceptada a tempo pela polícia.O governo chegou a pensar em adotar uma medida de força e obrigar as operadoras a instalar bloqueadores de celulares nos presídios. Mas, além das questões legais, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, acabou convencido de que colocar bloqueador apenas não é suficiente, porque a tecnologia muda muito rapidamente. Para ele, mais importante é impedir que o aparelho entre no presídio com controle rígido na portaria.

Agencia Estado,

04 de março de 2007 | 23h58

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