Dida Sampaio/AE
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Lula reage a pergunta sobre oligarquia Sarney

Irritado, presidente acusa repórter do 'Estado' de preconceito e diz que acusações contra senador não se sustentam juridicamente

Leonencio Nossa ENVIADO ESPECIAL / ESTREITO (MA), O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou irritado, ontem, em Estreito (MA), com uma pergunta do Estado sobre sua relação com o grupo do senador José Sarney (PMDB-AP) no Maranhão. A reportagem indagou se a visita era uma forma de "agradecer o apoio da oligarquia Sarney" a seu governo. Para Lula, a pergunta foi "preconceituosa".

"Agradeço, agradeço... e a pergunta preconceituosa como esta é grave para quem está há oito anos cobrindo Brasília. Demonstra que você não evoluiu nada. O presidente Sarney é presidente do Senado... preconceito é uma doença. O Senado é uma instituição autônoma diante do Poder Executivo, da mesma forma, o Poder Judiciário. O Sarney colaborou muito para a institucionalidade. E ademais é o seguinte: o Sarney foi eleito pelo Amapá, eu não sei por que o preconceito. Você tem de se tratar, quem sabe fazer uma psicanálise para diminuir o preconceito", disse o presidente ao repórter.

Irritado, Lula ainda citou o palhaço Tiririca, eleito deputado. "Se você tiver de fazer algum protesto vai para o Amapá, porque foi lá que o povo elegeu Sarney. E vai para São Paulo, porque o povo elegeu Tiririca. Na medida em que a pessoa é eleita e toma posse, ela passa a ser uma instituição e tem de ser respeitada", afirmou, dirigindo-se ao repórter.

Durante a resposta de Lula, a governadora Roseana Sarney interveio. "É preconceito contra a mulher. Eu fui eleita governadora do Maranhão para tomar conta do povo", disse. Lula emendou: "Sarney não é meu presidente. Ele é o presidente do Senado deste país. Eu lamento que não tenha tido evolução (da imprensa)."

Apoio. Lula virou aliado fiel de Sarney durante seu mandato de presidente. Em julho de 2009, articulou para que o PT recuasse da decisão de apoiar o afastamento do senador da presidência do Senado, após as revelações, pelo Estado, de envolvimento no escândalo dos atos secretos, e demais irregularidades, dentre elas a fraude na Fundação José Sarney com dinheiro da Petrobrás.

Em entrevista ao Estado em fevereiro, Lula afirmou que defendeu Sarney porque o governo precisava dele no Senado.

"Agora, quem governa é que sabe o tamanho do calo que está no seu pé quando quer aprovar uma coisa no Senado", disse Lula. "Das acusações que vocês (o jornal) fizeram contra o Sarney, nenhuma se sustenta juridicamente e o tempo vai provar. O exercício da democracia não permite que a verdade seja absoluta para um lado e toda negativa para o outro."

Feudo. O clã Sarney domina o Maranhão direta ou indiretamente há 45 anos. O senador elegeu-se governador em 1965. De lá para cá, sua filha Roseana foi três vezes governadora (1994, 1998 e 2010).

Quando longe do Palácio dos Leões, sede do Executivo local, a família Sarney foi representada por aliados. Entre 2002 e 2005, o cargo foi ocupado por José Reinaldo Tavares, ex-ministro dos Transportes no governo Sarney.

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