Lula recebe famílias de vítimas e ouve críticas

Em audiência, elas se queixaram de gesto de Garcia e da atuação de Jobim

Leonencio Nossa e Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

Na primeira vez em que se encontrou com parentes de vítimas do acidente da TAM, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu um posicionamento do governo sobre a tragédia em 20 dias, segundo relato das famílias que participaram do encontro, ontem à tarde, no Palácio do Planalto. Durante a conversa, os parentes reclamaram de sensacionalismo na divulgação dos dados da caixa-preta do avião, do assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia, que fez gestos obscenos ao ver uma notícia sobre o acidente, e do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que esteve em São Paulo na semana passada, mas não falou com as famílias.A parte mais constrangedora do encontro, segundo as famílias das vítimas, foi o momento em que Raifran Almeida, parente de quatro pessoas mortas na tragédia, se queixou da atitude de Marco Aurélio Garcia. Lula teria respondido: ''''Às vezes, o que é passado não é a realidade.'''' Raifran retrucou: ''''Só pediria que no momento de dor isso não se repetisse, pois pode parecer uma posição do presidente e não de pessoas.''''Em resposta às famílias, Lula disse ainda que Nelson Jobim ''''falhou'''' em não procurá-los, mas que o ministro deverá recebê-los em breve.Raifran, que perdeu no acidente o irmão Ricardo, a cunhada Helenize e os sobrinhos Bruno e Larissa, reclamou ainda da ''''precipitação'''' dos que apontaram falha humana como a causa mais provável da tragédia.''''Nossa indignação é porque essa era uma tragédia anunciada. Tentamos mobilizar o governo para que não caia no esquecimento mais esse grande acidente'''', disse Luiz Fernando Moysés, marido da advogada Nádia Moysés, morta no acidente. Embora tenha elogiado o trabalho da CPI, ele considerou ''''muito sensacionalista'''' a divulgação do conteúdo da caixa-preta de voz, que mostrou os últimos diálogos entre os pilotos do Airbus.Desde o acidente, no dia 17 de julho, ele não voltou para Porto Alegre, onde mora. Ontem Moysés soube que o corpo da mulher tinha sido reconhecido. ''''É a notícia de que acabou, é muito triste.'''' Segundo ele, a TAM faz ''''o mínimo necessário'''' no atendimento às famílias das vítimas, como o pagamento de transporte. A companhia aérea pagou as passagens das famílias para Brasília.INOCENTEMomentos antes do encontro, Marco Aurélio Garcia foi inocentado pela Comissão de Ética Pública, ligada à Presidência da República, que apenas classificou como ''''imprópria'''' e ''''grosseira'''' a atitude do assessor de comemorar com gestos obscenos notícia da TV Globo de que o acidente com o avião da TAM foi causado por falha mecânica.A comissão inocentou ainda o assessor de imprensa Bruno Gaspar, que estava ao lado de Garcia e também foi flagrado fazendo gestos obscenos. Uma nota divulgada pelo presidente em exercício da comissão, Marcílio Moreira, diz que o momento é de ''''reflexão'''', ''''sentimento de pesar'''' e ''''ação''''. A nota destaca que os integrantes da comissão observaram que o agente público deve dar sempre o ''''bom exemplo''''. ''''O exercício da função de servir ao público exige, entre outras responsabilidades, motivar o respeito e a confiança do público em geral, o que não comporta atitudes grosseiras'''', ressalta a nota.

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