Lula recua e adota tom conciliador com a mídia

Pesquisas do PT indicaram que desconfiança com 'radicalismo' petista começa a reaparecer

Vera Rosa / ENVIADA ESPECIAL e Elder Olgliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

No penúltimo comício da campanha de Dilma Rousseff (PT), em Porto Alegre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou tom conciliador com os meios de comunicação e disse que ninguém deve ficar "zangado" com a imprensa. Disse, ainda, que somente Dilma pode construir a unidade no País após a eleição, espantando o "ódio" da oposição.

Um dia depois do ato realizado em São Paulo, com apoio do PT, contra o "golpe midiático", Lula tentou apaziguar o relacionamento com a mídia. "A imprensa é muito importante para este país", disse ele, diante de uma multidão que lotou o Largo Glênio Peres, no centro da capital gaúcha. "Quando falam mal da gente ninguém gosta, mas quando falam bem, o ego enche. A gente precisa ter humildade."

O discurso mais ameno faz parte da estratégia dessa reta final de campanha. Não sem motivo: pesquisas internas em poder do PT indicaram, nos últimos dias, que a desconfiança em relação ao chamado "radicalismo" petista começa a reaparecer em segmentos da classe média.

Ao lado de Dilma e do concorrente do PT ao governo gaúcho, Tarso Genro, Lula disse que a democracia sempre foi um valor "incomensurável" para ele. A candidata adotou a mesma linha e deu estocadas no adversário do PSDB, José Serra, que tem procurado associar o PT ao apoio a ditaduras. "Nós somos os verdadeiros democratas, porque acreditamos no povo e na liberdade de expressão", afirmou Dilma.

Em recente comercial veiculado na internet - atribuído pelos petistas à campanha tucana -, um locutor diz que "o PT só não conseguiu calar a imprensa porque Lula não deixou". O PT pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do vídeo.

Bordoada. Depois de Serra ter acusado o PT de dividir o País, Lula disse que Dilma vai construir acordos com todos os setores da sociedade, se for eleita para ocupar sua cadeira no Planalto. O presidente lembrou os protestos que ocorreram no México e no Irã, após as eleições, para garantir que a situação não ocorrerá no Brasil. O presidente disse que Dilma não só dará continuidade ao seu governo como fará mais. "Ela vai ser eleita e ainda vão dizer: "Quem deu uma bordoada no metalúrgico foi uma mulher"."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.