Lula se diz indignado com mortes no Morro da Mineira

Presidente ficou irritado ao saber da participação de militares na morte de 3 jovens, no Rio de Janeiro

Luiz Roberto Marinho, Agência Estado

17 de junho de 2008 | 15h03

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou-se indignado com o episódio do assassinato dos três jovens entregues ao tráfico do Morro da Mineira, no Rio de Janeiro, por uma patrulha do Exército. O presidente mostrou-se ainda mais irritado pela participação do Exército.  Veja também:Jobim decidirá se Exército continua operação em favelaDelegado do Rio pode pedir quebra de sigilo de militaresMilitares devem ser punidos, diz Jobim Delegado diz que militar confessou ter entregado jovens no RioO Exército está preparado para atuar na segurança  pública?  O desabafo foi manifestado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, e ao comandante do Exército, general Enzo Peri, em despacho fora de agenda, pela manhã, no Palácio do Planalto, segundo fontes da Presidência da República. De acordo com as fontes, Jobim fez um relato minucioso do episódio ao presidente da República e solicitou sua autorização para acompanhar in loco o caso, junto com o comandante do Exército. Ambos já estão no Rio. O despacho, iniciado por volta das 9hs, atrasou em quase uma hora a reunião do presidente Lula com os cinco ministros que integram a coordenação política do governo - da Casa Civil, Dilma Roussef; das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro; da Fazenda, Guido Mantega; do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci.  Desculpas Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")Parentes dos três jovens do Morro da Providência encontrados mortos no fim de semana ouviram nesta terça, do general Mauro César Lorena Cid, comandante da 9.ª Brigada de Infantaria, o primeiro pedido de desculpas formal do Exército. Acompanhadas de advogados, as mães das vítimas foram até o Ministério Público Estadual para ter acesso ao inquérito e formalizaram uma denúncia contra a União sob a acusação de triplo homicídio qualificado.     Cid anunciou, em reunião com líderes da comunidade, no centro da capital fluminense, que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e integrantes do alto escalão do Exército estavam a caminho do Rio para decidir sobre a eventual permanência das Forças Armadas na comunidade. Segundo líderes comunitários, as obras do projeto Cimento Social no morro deverão ser retomadas até quinta-feira, mas só continuariam após a retirada das tropas.                                                                   Versões diferentes Depois de o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), chamar os militares envolvidos na morte de três jovens no Morro da Providência de "marginais" e de ter classificado o crime de "atrocidade", a única sobrevivente contou uma versão bem diferente do que aconteceu. "Voltamos de táxi do baile da Mangueira. Na praça, no alto do morro, fomos parados e um soldado meteu a mão no cordão do Wellington. Ele reagiu e foi agredido. Reclamamos e eles disseram que estávamos presos sem nenhum motivo. Levaram eles e me liberaram", disse M., de 16 anos.    O tenente, o sargento e um soldado disseram em depoimento à polícia que Wellington reagiu com palavrões à abordagem. Desde o início da ocupação militar na Providência, outras 12 pessoas foram detidas por desacato. "O Exército não pode conviver com o ilícito. O militar pode e deve deter alguém que esteja em flagrante delito", justificou o chefe de Comunicação Social do Comando Militar do Leste, Carlos Alberto Neiva Barcellos.  Ele classificou o "incidente" que terminou na morte de três jovens como um "fato isolado", que não torna insustentável a presença do Exército na Previdência. Barcellos afirmou que o Exército "repudia veementemente qualquer desvio de conduta e qualquer ação fora da legalidade". Ele informou que foi aberto inquérito militar para apurar o crime.  A única informação confirmada é que os três jovens mortos foram detidos por desacato. No entanto, o comandante da tropa, cujo nome não foi divulgado, determinou que eles fossem liberados por não haver motivo para detê-los.  O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que o episódio comprova que o Exército não está preparado para atuar nas ruas do Rio. "Se a Polícia Militar, que vive esse problema diuturnamente há 200 anos, tem suas mazelas, uma corporação que começou a fazer isso há pouco tempo já incorrer num problema desses é uma demonstração disso", afirmou Beltrame.  "É, no mínimo, um momento de retomar uma série de conceitos, rever muitas coisas." Barcellos ainda evitou comentar as críticas de Beltrame.  o governador elogiou o trabalho da Polícia Civil, que investigou o crime. "A polícia atuou com firmeza no caso desses 11 marginais que não honram a farda do Exército", disse Cabral, que está em viagem oficial à Alemanha. Ele disse esperar que o caso seja acompanhado por Lula e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. O governador ressaltou que o comportamento dos militares presos não condiz com a reputação do Exército, "uma instituição que merece todo o apreço do povo". (Colaboraram Tânia Monteiro, Talita Figueiredo e Alexandre Rodrigues, de O Estado e S. Paulo) 

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