Lula se esquiva de caso Battisti com Berlusconi

Presidente diz aguardar parecer da AGU, que vai orientar sua decisão; e garante que, se vetar a extradição, relações com Itália não serão afetadas

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

Ao lado do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva silenciou ontem sobre a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, preso no País desde 2007.

O caso se arrasta há sete meses, desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) delegou a Lula a palavra final sobre o ex-ativista: extraditá-lo para a Itália ou mantê-lo preso no Brasil. Segundo Lula, não há prazo para uma definição.

"Eu tenho dito desde o primeiro dia que só me pronunciarei sobre o caso quando os autos do processo estiverem no meu gabinete com o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que é quem vai me orientar", esquivou-se o presidente, após participar do seminário Brasil ? Itália, na Federação das Indústrias de São Paulo, na capital paulista.

Lula ressaltou, no entanto, que sua posição se dará "independentemente do processo eleitoral". "A AGU está estudando a decisão da Suprema Corte, e tem o tempo que for necessário para me dar um parecer adequado", afirmou.

Lula observou ainda que as relações entre Brasil e Itália não seriam afetadas caso o ex-ativista permaneça no País. Para ele, a decisão tem cunho estritamente jurídico, e não político.

"Conheço gente que é a favor e contra, mas não me preocupo com isso. Tenho que me preocupar com a decisão brasileira, que será soberana", disse. Berlusconi não se pronunciou,

Provocação. O primeiro-ministro italiano provocou Lula, apostando em seu retorno à Presidência em 2014. "Lula tem 62 anos. Ele agora vai descansar necessariamente quatro anos e depois vai poder trabalhar mais oito pelo Brasil."

Lula rechaçou, com elogios à sua candidata, Dilma Rousseff. "Estou elegendo uma pessoa que eu considero o que eu tenho de melhor: mais competente, mais preparada, mais ousada", disse. "E eu me contentarei em ser cabo eleitoral pela segunda vez", acrescentou.

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