Lula será a arma de Mercadante contra o favoritismo tucano

Lula será a arma de Mercadante contra o favoritismo tucano

Preocupado em ficar sem mandato a partir de 2011, senador contará com presidente em comícios e na propaganda eleitoral

Clarissa Oliveira, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2010 | 00h00

Por trás da decisão de trocar uma reeleição quase certa ao Senado pela corrida ao Palácio dos Bandeirantes, Aloizio Mercadante (PT) arrancou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o compromisso de que não se lançará sem apoio na tentativa de vencer o favoritismo tucano no maior colégio eleitoral do País.

Como parte da fatura para enfrentar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que larga com mais de 50% nas pesquisas, o petista obteve a garantia de que Lula terá farta presença na propaganda eleitoral no rádio e na televisão e participará de comícios pelo Estado afora, independentemente da agenda da pré-candidata ao Planalto, Dilma Rousseff.

O reforço foi a maneira encontrada por Lula para amenizar a preocupação de Mercadante com o risco de ficar sem mandato a partir de 2011. Enquanto negociava a candidatura, o senador tentou sem sucesso buscar um ponto de apoio na eleição de 2012. Queria convencer a ex-prefeita Marta Suplicy a lhe dar prioridade para disputar a prefeitura paulistana, mas ouviu dela e de outros líderes petistas que era cedo demais para um acerto.

Com a promessa de Lula, Mercadante torce para abocanhar parte da popularidade do presidente. Entrou na conta a tese de que será mais fácil, por exemplo, atrair o voto de beneficiários de programas de transferência de renda. Só no Bolsa-Família, há 3,5 milhões de paulistas, distribuídos por 1,1 milhão de famílias no Estado, que até a semana passada estava sob comando do pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra. A conta do Planalto sobe para 8 milhões de pessoas, se considerados todos os programas assistenciais.

Ponto fundamental também a estratégia de Dilma, a promessa de Lula de entrar em campo em São Paulo alimenta o otimismo do time de Mercadante. "Estamos entrando nesta eleição para ganhar", diz o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP).

Ao mesmo tempo em que colará no presidente, Mercadante dará prioridade total à desconstrução da gestão tucana. A ideia é casar o discurso com o da campanha de Dilma, quem sabe com a contratação de um marqueteiro próximo a João Santana, que está à frente da comunicação da pré-candidata petista.

Até lá, quem ajudará o senador a desenhar sua estratégia será o time de coordenação da campanha, que começa a tomar forma nesta semana. "Vamos apontar o desmantelamento da educação, a desorganização da segurança pública, a urgência da saúde e cortes na área de infraestrutura", adianta o presidente estadual do PT, Edinho Silva. "O Alckmin só está na frente por enquanto porque é mais conhecido", minimiza o prefeito de Osasco, Emidio de Souza.

Mesmo que a estratégia naufrague, petistas apostam que a candidatura valerá a pena para Mercadante. Dizem que é no mínimo uma oportunidade de cair nas graças de Lula, revertendo arranhões na relação entre o presidente e o senador. Um deles veio no auge da crise no Senado, no ano passado, quando o senador resistia em apoiar a permanência do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), no cargo.

Também predomina a avaliação de que as urnas vão enterrar o desgaste de 2006, quando Mercadante foi eliminado da corrida estadual em meio às denúncias sobre o dossiê dos aloprados. Mas petistas insistem que, mesmo com esse episódio e os vestígios do escândalo do mensalão, o senador teve 32% dos votos naquela eleição. "Agora, por outro lado, o cenário nunca foi tão favorável para o PT em São Paulo", diz Vaccarezza.

O Time de Mercadante

Emidio de Souza

Preterido na disputa interna para a eleição estadual, já recebeu um convite para integrar a coordenação da campanha

Edinho Silva

Presidente do PT-SP, participa ativamente de negociações com aliados e deve permanecer na cúpula da campanha

Eduardo Suplicy

O senador, que retirou há alguns dias seu nome da disputa, deve participar ativamente da agenda de campanha pelo Estado

Elói Pietá

Próximo ao senador, o ex-prefeito de Guarulhos poderá cuidar de ações como a montagem do programa de governo

Antonio Mentor

Como líder da bancada estadual do PT, ajudará na mobilização de parlamentares e na busca de apoio no interior

Cândido Vaccarezza

Líder do governo na

Câmara, pode ajudar no trabalho de mobilização e será um dos elos com a campanha de Dilma

Rafael Marques

Vice-presidente do PT paulista, vem ajudando nas primeiras negociações e deve ajudar a cuidar do dia a dia da candidatura

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