Lula só vai dar verba se existir projeto

Presidente cobra precisão nos planos de recuperação dos Estados

Ricardo Brandt, TERESINA; João Domingos, SÃO LUÍS, O Estadao de S.Paulo

06 de maio de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou ontem áreas alagadas no Piauí e no Maranhão. Nos dois Estados, prometeu que o governo federal não poupará esforços, mesmo financeiros, para ações de apoio aos atingidos. Mas cobrou que os projetos sejam mais bem feitos, para a "burocracia" não atrapalhar a liberação dos recursos, comprometendo a solução para os povos afetados pelas chuvas.Em Teresina, aonde chegou logo cedo, o presidente e a comitiva de ministros e assessores sobrevoaram as áreas mais atingidas e visitaram um abrigo no bairro do Poti Velho. Lula foi recebido com festa por uma multidão que esqueceu a própria desgraça para recepcioná-lo. Numa reunião com autoridades, recebeu uma lista com pedidos de ajuda de prefeitos e do governador Wellington Dias (PT). Só o prefeito da capital, Sílvio Mendes (PSDB), apresentou uma lista de pedidos de investimentos de R$ 51 milhões. "Na hora que vai construir um conjunto habitacional, nós temos de levar em conta que a gente não pode construí-lo em área que vai dar enchente. Porque nós temos uma várzea do rio, essa várzea é para ser ocupada pelo rio e quando chove é para lá que a água vai. Ou seja, nós não poderemos construir casa em lugares que nós sabemos que mais dia menos dia vai dar enchente. Por isso é que todas as cidades do Brasil precisariam ter Planos Diretores, para que a gente pudesse fazer os investimentos corretos", afirmou Lula, antes de partir para o Maranhão. No Estado vizinho, onde 52 municípios estavam em emergência ontem, Lula repetiu o que disse sobre a elaboração de projetos para o governo federal. "Não adianta ter dinheiro se não tem projeto; o projeto é essencial para se conseguir o dinheiro", disse, após passar duas horas sobrevoando de helicóptero vários locais alagados, num raio de 250 km de São Luís.Lula aproveitou a presença de prefeitos de vários partidos para fazer um apelo pela união, num momento de emergência. "Vamos deixar a política partidária de lado e reconstruir o Estado. As eleições só vão acontecer em 2010 e as eleições para prefeito, em 2012. Se trabalharmos juntos, governo federal, estadual e municípios, vamos reconstruir o Estado." Ele ordenou ainda que os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, visitem o Maranhão para fazer o levantamento dos prejuízos na agricultura. E ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que verifique a quantidade de medicamentos necessária para o socorro às vítimas das enchentes. Antes, no Piauí, Lula disse que o governador deve aproveitar reunião marcada com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, para apresentar um levantamento sobre os estragos e, acima de tudo, projetos detalhados. "Wellington, vou dar um último aviso: é preciso precisão na elaboração dos projetos, para que a gente possa fazer fluir com mais facilidade o dinheiro. O que facilita a liberação de recursos não é a emergência, e sim, o projeto."

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