Lula teme que CPI faça "shows e não investigações"

Em entrevista ao Jornal da Record na noite desta quarta-feira, no Palácio do Alvorada, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse não acreditar que a convocação de oito petista para serem ouvidos na CPI dos Sanguessugas, sobre a suposta compra do dossiê Vedoin, irá influenciar nas eleições. No entanto, ele teme apenas que a CPI faça "shows e não investigações".Ele pediu seriedade na investigação do caso da tentativa de compra do chamado dossiê Vedoin por petistas, mas ressaltou que quem fizer "pirotecnia" vai perder. "Se as pessoas estiverem fazendo pirotecnia por conta do processo eleitoral, quem perde é quem faz o show", disse, e completou: "a minha preocupação é que a CPI, como em outras vezes, procure fazer um show ao invés de fazer uma investigação", disse em entrevista ao Jornal da Record.Lula não demonstrou, no entanto, preocupação com a demora das investigações. "Quando o processo está em investigação, o que nós precisamos é colher o resultado sem preocupação com o tempo, mas saber a seriedade da investigação", disse. "O que me interessa é o resultado final. Quem errou paga", disse Lula, que afirmou que não cabe a ele julgar ninguém, pois esse é o papel da Justiça.Questionado sobre a pressão que o Congresso poderia fazer para aprovar projetos em um segundo mandato, Lula foi irônico: "você conhece algum momento na história do Brasil em que o presidente governou sem pressão?". Lula pediu que o Congresso assuma responsabilidades. "Uma coisa é o Congresso tentar me atacar, tentar me acusar, tentar me xingar, outra coisa é o interesse do Brasil. É isso que eu quero deles: seriedade com o Brasil".Salto altoLula negou que no primeiro turno estivesse de "salto alto" e, por isso, não tenha ido aos debates. O petista era o favorito nas pesquisas, que apontavam vitória no primeiro turno, o que não aconteceu. "Não fui a debates porque duas pessoas estavam ressentidas comigo por causa do PT", referindo-se a Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT). "Talvez o povo quisesse que eu fosse ao debate", emendou.Sobre a vantagem de 20 pontos da última pesquisa Datafolha, Lula disse que, diferente do primeiro turno, em que houve um crescimento da oposição na reta final, a situação é o inverso agora. "Já reconheci publicamente que todos os indicadores diziam que eu ia ganhar as eleições. Agora, o movimento é outro. Minha candidatura subindo e o adversário descendo", afirmou. O petista também negou que tenha se surpreendido com seu adversário tucano Geraldo Alckmin - por causa do tom agressivo - no último debate da TV Bandeirantes. "Foi ele que foi pego de surpresa. Não podemos gritar nem ser agressivos. Não podemos inventar histórias para constranger o outro", reclamou.Colaboraram Carolina Ruhman e Flavio LeonelEste texto foi alterado às 20h43 com inclusão de informação

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.