Lula tenta pôr Mercadante no 2º turno

Em comício em São Paulo, o presidente enaltece a sua gestão e faz críticas a Alckmin, que lidera a corrida eleitoral no Estado

Malu Delgado, Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2010 | 00h00

De óculos, lendo estatísticas sem esconder o orgulho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem do último comício do primeiro turno das eleições 2010 uma digressão dos últimos oito anos de seus dois mandatos, admitiu ter temido o fracasso à frente da Presidência e assegurou que em 1º de janeiro entregará a faixa presidencial a Dilma Rousseff (PT) e voltará "correndo a São Paulo para entregar a faixa ao (Aloizio) Mercadante".

Ao discursar em São Bernardo do Campo, Lula previu o segundo turno no Estado e sinalizou que serão os votos do ABC paulista que levarão Mercadante para um novo round da disputa com Geraldo Alckmin (PSDB).

"No dia primeiro de janeiro entregarei a faixa para a companheira Dilma, e se deus quiser, depois de entregar a faixa para Dilma, lá em Brasília, correrei para São Paulo para entregar a faixa ao companheiro Aloizio Mercadante. Hoje nós temos garantido o segundo turno", afirmou.

"Se prepare porque aqui tem café no bule", afirmou Mercadante, num discurso em que fez a apologia ao governo Lula e desafiou Alckmin para um embate direto no segundo turno.

Enquanto citava várias estatísticas e indicadores sócio-econômicos positivos, Lula admitiu ter tido dúvidas se um dia de fato seria eleito e, após tomar posse, temeu pelos resultados de seu governo. "Quantas incertezas eu tinha se seria possível ou não, se um mero operário metalúrgico do ABC pudesse sentar na cadeira que tinha sentado Getulio Vargas, Juscelino Kubitscheck. Quantas vezes tive medo no meio da noite que eu não daria conta do recado."

Lula não se conteve ao enaltecer a si próprio. "Pobres coitados. Eles que são doutores, não sabem que embora eu não seja doutor, eu tenho uma coisa que eles não têm, que é a capacidade de sentimento, de conversar com a alma com o povo."

"Ao terminar o meu mandato, tenho consciência que posso deitar a cabeça no travesseiro com a certeza que eu não fiz tudo o que queria fazer, mas com a certeza que fiz mais para o povo pobre", acrescentou Lula.

Alckmin. O presidente criticou Alckmin e o acusou de ter sido ofensivo da disputa eleitoral de 2006. "Em 2006 eu fui para o segundo turno com esse sujeito que está disputando com você. E você viu a ofensa. Um dado concreto é que no segundo turno eu cresci 12 milhões de votos e ele perdeu três milhões de votos. Com você ele certamente irá perder 12 milhões de votos e você irá crescer o suficiente para governar São Paulo."

Lula rasgou elogios a Mercadante. "O povo de SP é que precisa de um homem da sua integridade moral, ética, do seu caráter e da sua competência."

O candidato petista ao governo paulista destacou feitos do governo Lula e mostrou confiança no segundo turno nas eleições em São Paulo. Referiu-se ao comício não como o último da campanha, ao lado do presidente Lula, mas como "o primeiro comício do segundo turno".

Mercadante acusou Alckmin de fugir do debate. "Ele correu e fugiu porque não tem argumento, não tem coerência". Direcionando o discurso para o tucano, disse: "Pode se preparar, porque no segundo turno sou só eu e você, o tempo de TV é o mesmo e você não vai poder encontrar fuga para não enfrentar a discussão comigo. Se prepare que aqui tem café no bule."

O petista também criticou a imprensa e defendeu: "Nós não queremos um país em que a imprensa não seja livre, porque muitas vezes ela nos critica com razão e corrige os erros que a gente comete, mas seja quem for jamais poderá apagar a história (do presidente Lula)", disse.

Faixa

LULA

PRESIDENTE

"No dia 1º janeiro entregarei a faixa para a companheira Dilma,

e se deus quiser, depois de entregar a faixa para Dilma, lá em Brasília, correrei para São Paulo para entregar a faixa ao companheiro Mercadante. Hoje temos garantido o 2º turno"

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